Pearl Harbor
O Dia da Infâmia
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A explosão do encouraçado Arizona
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Bem cedo, na manhã de domingo de sete de dezembro de 1941, uma veloz esquadrilha de aviões torpedeiros japoneses sobrevoou a baía de Pearl Harbor, no Havaí, onde se encontravam ancorados a maioria dos barcos norte-americanos que pertenciam à frota do Pacífico dos Estados Unidos da América. Lá embaixo, um ao lado do outro, enfileiravam-se encouraçados e outros navios de guerra menores como se estivessem ancorados para rumarem para desfile. Nas duas horas seguintes daquela data fatídica para as armas norte-americanas, sem nenhuma declaração prévia de guerra, a marinha sofreu mais baixas e afundamentos do que no transcorrer da
Primeira Guerra Mundial. No dia seguinte, no dia oito de dezembro, o presidente Franklin Delano Roosevelt, profundamente agastado e indignado, classificando o inesperado ataque nipônico como um ato de infâmia, encaminhou ao Congresso norte-americano uma declaração de guerra. Durante os quatro anos seguintes o Oceano Pacífico iria conhecer o diabo.
A Base no Havaí
O arquipélago havaiano havia sido avistado pela primeira vez numa das viagens do capitão Cook ao redor do mundo em 1778, mas os norte-americanos só começaram a chegar por lá na década de 1840, quando pescadores de baleia, aventureiros e missionários deram para instalarem-se nas seis belíssimas ilhas que o compõe (O´ahu, Mauí, Lanai, Molokai, Kuai e Havaí). Quando, no século XIX, as ambições americanas se aceleraram ainda mais depois da compra do Alasca da parte dos russos, o Havaí, distando 3.363 quilômetros da costa Oeste dos Estados Unidos, pareceu-lhes uma parada natural na rota do Pacífico para a Ásia. Em 1853, o comodoro Perry, a bordo de um navio a vapor de ferro e abundante artilharia, arrancara um tratado com o Japão, em conseqüência disso as ilhas do Havaí viram-se reforçadas no seu papel de paradouro natural na grande travessia do oceano. O resultado disso é que os Estados Unidos, depois que o secretário Blaine declarou o arquipélago havaiano como "parte do sistema americano", afirmou um tratado em 1884 com o reinól nativo para construir uma base naval na ilha de O´ahu, exatamente no local chamado de Pearl Harbor, o porto das pérolas, e onde situa-se a capital Honolulu. Uns anos depois, em 1894, quando já havia uma respeitável exportação de açúcar e frutas,foi proclamada uma república, anexada aos Estados Unidos em 1898.
A Rivalidade com o Japão
De todas as regiões do Extremo Oriente de então, o arquipélago japonês era o único que era totalmente independente do colonialismo euro-americano. Não só isso, os japoneses foram o único povo da Ásia a derrotar uma potência européia. Em 1904, o império japonês, na guerra russo-nipônica, conquistara duas brilhantes vitórias, uma naval (Tushima) e outra terrestre (Port Arthur), contra o império do czar da Rússia, tornando-se a primeira força militar do Extremo Oriente. Em vista disso, no transcorrer dos primeiros decênios do século XX, os Estados Unidos (desde as Filipinas), a França (com a Indochina e o Camboja), a Holanda (com a Indonésia) e a Grã-Bretanha (com a Índia, a Birmânia, Malásia, Singapura e Hong Kong), trataram de aproximar-se do homem-forte da China, o marechal Chiang Kai-shek, para contrabalançar o crescente vigor do Japão, que se expandira para a ilha de Taiwan, a península da Coréia, e a Manchúria (região do nordeste da China). Com a eclosão da guerra sinojaponesa de 1937, quando o Micado atacou a China a partir da Manchúria, os Estados Unidos passaram a adotar uma política de embargos contra o Japão, culminando com a supressão da venda de aço e óleo, produtos estratégicos para as operações militares dos japoneses. Desta forma, o quadro para a guerra futura estava formado em meio à crescente tensão entre o governo do imperador Hiroito e a presidência Roosevelt. Ambos disputando a hegemonia futura sobre o continente asiático.
As Negociações
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Cordell Hull, secretário de Estado
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Ambos os lados, japoneses e americanos, nos últimos dois ou três anos, ao tempo em que procuravam acomodar uma paz, preparavam-se para a guerra. O sinal que o Japão estava perdendo a paciência mostrou-se com a nomeação do general Tojo Hideki, um homem favorável à extensão da guerra contra os Estados Unidos, para a chefia do gabinete imperial. Mesmo assim, o príncipe Konoye conduzia as negociações diplomáticas com o secretário Cordell Hull no sentido de alcançar algum entendimento. As exigência norte-americanas para suspender o embargo de ferro e óleo, além de descongelarem os fundos japoneses retidos, eram impossíveis de serem atendidas. Se bem que, em princípio, a exigência dos americanos limitava-se a que o Japão evacuasse a Indochina (antiga colônia francesa no sudeste asiático). O ditador chinês, Marechal Chiang Kai-shek, indignado, forçou a mão querendo que Cordell Hull insistisse em que o exército japonês também evacuasse as partes da China conquistada, inclusive a Manchúria, onde já estavam instalados desde 1931. Quer dizer, o Japão deveria recuar em todos os frontes conquistados nos últimos quatro anos de guerra para que os Estados Unidos, aí sim, anulasse o embargo. Não havia no Japão nem general, nem almirante, nem político, nem mesmo o imperador, capaz de aceitar uma proposta desta.
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