O Canal do Erie
Criaram-se as condições para um plano há muito sonhado pelos comerciantes da cidade, pelo menos desde 1724, quando Cadwallader Colden deu a idéia: ligar Nova York ao interior do país pela construção de um canal. Possibilidade, diga-se, também avalizada por Robert Fulton, o inventor do barco a vapor, em carta ao presidente G. Washington, em 1797. Os ianques, então, orientados pelo engenheiro-chefe Canvass White, lançaram-se com afinco e com dinheiro na construção do "seu" rio Mississippi. Um imenso conduto, o canal do Erie, com 580 quilômetros de extensão e 72 eclusas, foi escavado a pá e picareta, rasgando a terra da periferia de Nova York - passando por Albany, Syracuse e Rochester - até Búfalo, na margem do lago Erie.
A Loucura de Clinton
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Clinton derrama a água do lago no mar
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O projeto, pela grandeza e pela ambição, parecia coisa de dementes. Jefferson, de resto um homem de excepcional visão panorâmica, negando-se a pôr dinheiro federal na obra, apelidou-o de "a loucura de Clinton". Os jornais da Filadélfia, despeitados, viram Clinton como um césar ianque de ambições imperiais. De 1817 até 1825, milhares de trabalhadores e de bons engenheiros levaram adiante o empreendimento. Nos procedimentos da inauguração, DeWitt Clinton convidou o chefe indígena Seneca para acompanhá-lo na grande viagem de 11 dias de Búfalo até Nova York. A bordo trouxe dois baldes de água do lago Erie para lançá-la no Oceano Atlântico, em 26 de outubro de 1825, em meio a euforia da população. Na volta, o chefe Seneca levou consigo dois outros da água salgada do Atlântico para derramá-la no lago Erie.
O Maior Porto da América
Ao sugar a sempre crescente economia do oeste, trazendo pelo canal trigo, carvão, madeira, ferro e sal, e levando tudo o que os colonos precisavam, o porto. que antes era o quinto da América do Norte (antes dele vinha Boston, Baltimore, Filadélfia e Nova Orleãs), tornou-se o primeiro na década de 1840. Posição que até hoje não o desbancaram. A façanha da gente de Nova York permitiu que um produto qualquer que saísse da Europa chegasse diretamente ao coração do meio-oeste norte-americano em tempo singularmente curto. A tecnologia que desenvolveram ao arquitetarem as eclusas, permitiu que noventa anos depois, em 1914, o Canal do Panamá fosse aberto pelos engenheiros americanos sobre as mesmas bases. Mas Nova York deu outra lição ainda ao resto da América.
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