BUSCA + enter






Al-Afgãni


reprodução

Al-Afgãni (1838-1897)

Quem propiciou o primeiro programa coerente e ideologicamente consistente para a emancipação dos povos árabes foi o professor e ensaísta Gamal al-Din, cognominado de Al-Afgãni, o afegão. Perseguido pelos ingleses e por seus sequazes, viveu exilado na Turquia, Egito e França, desde 1868 até sua morte em 1897, considerado pela unanimidade como aquele que lançou as bases do moderno nacionalismo árabe. Para ele, devia-se superar aquela atitude de hostilidade sistemática para com as inovações, as chamadas bid'a, e retornar à pureza original do Islã, ao mesmo tempo em que o adaptava às condições reais do nosso tempo. Lançou o movimento da salafiyya, cuja dialética implicava aceitar as técnicas e a disciplina ocidentais para delas se utilizar, mais tarde, visando à ressurreição do mundo muçulmano.

A ascensão do nacionalismo árabe

O discípulo de Al-Afgãni Muhamad Abdu (1845-1905) enfrentou os tradicionalistas apontando a preeminência de se adotar um pensamento filosófico baseado na razão e que, como os grandes pensadores religiosos do passado - os falãsifas - demonstraram, não havia incompatibilidade alguma entre ela e a fé islâmica. Tanto Al-Afgãni como M. Abdu trataram de estimular o orgulho árabe para com sua antiga cultura, procurando fazer com que os muçulmanos se livrassem do "complexo de inferioridade" perante os ocidentais, que os levava ao fatalismo existencial e à inanição política.


reprodução

Nasser e colegas nos começos do nacionalismo (filme egípcio)

Mas a data magna do nacionalismo árabe, enquanto movimento político organizado, não é a de 1940, quando Michel Aflaq fundou o Partido Baas (Partido Socialista do Renascimento Árabe), em Damasco, mas sim o ano de 1952, quando um grupo de militares liderados por Gamel Abdel Nasser depôs a corrupta e neocolonizada monarquia do rei Faruq do Egito. Quatro anos depois, Nasser punha fim ao domínio anglo-francês sobre o Canal do Suez, tornando-se líder inconteste do nacionalismo árabe. Assistiu-se então, estimulada pelo exemplo de Nasser e dos oficiais egípcios, a uma onda de deposições das monarquias feudais, golpeadas a maioria delas por caudilhos militares (Iraque em 1958, Yemen em 1962 e Líbia em 1969). Uma das razões indiretas da implantação de regimes militares nacionalistas devia-se à inoperância demonstrada pelos monarcas em adotar uma política que fizesse frente ao Estado de Israel, fundado, contra a vontade de todo mundo árabe, em 1948.

A ajuda soviética


reprodução

Gamal Nasser, jovem líder nacionalista

Os novos chefes dos países do Oriente Médio, recém-emancipado, trataram de realizar reformas significativas na estrutura socio-econômica dos seus respectivos países, que implicavam uma reforma agrária, o que desgostou a maioria do clero muçulmano, como também dar início à emancipação feminina dos laços opressivos das leis corânicas. Também foi ampliada a rede de instrução pública, bem como dada ênfase ao ensino de disciplinas técnicas em detrimento das fornecidas pelas madrassas, as escolas religiosas islâmicas. No cenário internacional, o nacionalismo árabe contou com o apoio da União Soviética, especialmente depois da guerra árabe-israelense em 1967, mas a ideologia marxista sempre soou estranha aos ouvidos das lideranças nacionalistas ao tempo em que era vista com verdadeiro horror pelo clero muçulmano. Mesmo assim, a URSS, seguindo a linha traçada por Lenin desde 1921, considerava uma estratégica correta apoiar qualquer movimento anticolonialista no Terceiro Mundo, mesmo que houvesse incompatibilidade ideológica entre o partido emancipacionista e a doutrina soviética.

| |



 ÍNDICE DE MUNDO





 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2002,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central de Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade