De rebelde a renegado
 Marlon Brando como o anti-herói delator (Sindicato de Ladrões) |
Em 1954, com a ajuda de um outro delator, o roteirista Budd Schulberg, converteu o dedo-duro Terry Malloy (imortalizado por Marlon Brando), num herói das lutas portuárias. O sucesso do
Sindicato dos Ladrões (
On the Waterfront) foi tal que pode-se dizer ter inaugurado um subgênero cinematográfico: o do delator positivo.
Nos anos 50, Hollywood produziu uma série de estranhos filmes onde o rebelde, não importando a causa, terminava sempre por converter-se no seu contrário, num servidor da ordem. Por vezes era um índio apache que, abandonando a peleja contra a cavalaria, encerrava a vida servindo aos brancos nada menos do que como....... polícia apache! Outras, era um jovem marginal que cansado das atrocidades feitas pelo seu bando o entregava inteiro à lei, quando não prendia em seu próprio peito a estrela de xerife. Sim, Kazan fez escola.
Ele mesmo confessou no seu livro de memórias, Life, que realmente ele recorreu aos filmes para confirmar sua posição. Ocorre que Tony Malloy, o alter ego de Kazan no filme Sindicato dos ladrões, tinha como seus próximos os integrantes de uma quadrilha, gente brutal, que fazia da violência um meio de vida. Seres totalmente opostos aos que cercavam Kazan nos palcos e nas encenações. Comparar os gangsters com seus ex-companheiros de causa do partido comunista do meio teatral foi outra perversidade cometida pelo diretor.
Inspirando-se em Salem
 Arthur Miller, expôs a caça às bruxas |
Miller, por sua vez, no dia seguinte ao infeliz encontro, rumou para a cidadezinha de Salem, no Estado de Massachusetts. Queria ter um contanto direto com as provas do que lá se passara em 1692 quando, naquele vilarejo remoto, um surto persecutório, alimentado por denúncias de garotas histéricas, resultou no enforcamento de 19 inocentes acusados de feitiçaria. Espantou-se com a idêntica ausência de lógica, a mesma busca da completa abjeção das vítimas. O idêntico fanatismo, covardia e perfídia que Miller, no ano seguinte, em 1953, imortalizaria na peça As feiticeiras de Salem (The Crucible). Porém enquanto um dos seus personagens, John Proctor, o rude aldeão de Salem, rasgava no ato final, indignado, uma falsa confissão que os inquisidores exigiam dele, condenando-se ao patíbulo, Elia Kazan, o alcagüete do macartismo e patriarca da escola dos renegados, anos depois subiu ao palco para ver sua obra consagrada com um Oscar pela Academia do Cinema.
Leia mais:
» As feiticeiras de Salem
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