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A luta pelos Direitos Civis
De Abraham Lincoln a Martin Luther King

O Movimento pelos Direitos Civis

"Se não há luta, não há progresso (...) Esta luta pode ser moral ou física: ou pode ser ambas, moral e física: mas tem que ser uma luta. O poder nada concede sem uma demanda. Ele nunca o fez nem o fará. Pode-se não receber por tudo aquilo que se pagou nesse mundo: mas, certamente, pagou-se por tudo aquilo que se recebeu." - Frederick Douglas, 1882

Cem anos depois da 14ª Emenda ter sido aprovada dando cidadania aos negros, em Montgomery, Alabama, uma costureira negra chamada Rosa Parks, tomada de um impulso, negou-se, num ônibus, a sair do lugar assinalado aos brancos. A policia a levou presa acusada de “desordem” por infringir as leis segregacionistas locais. Era o dia 1º de dezembro de 1955. Imediatamente ativistas dos direitos civis trataram de organizar um boicote contra os serviços de transporte urbano da cidade. Escolherem o reverendo Martin Luther King Jr. para liderá-los.

O dr. King era então um jovem pastor de 25 anos, filho de uma tradicional família de religiosos, graduado no Seminário Teológico Crozer, Filadélfia, e com Ph.D. na Universidade. de Boston. Desde cedo atraiu-se pelo movimento da não-violência de Gandhi na Índia. Mesmo que lhe dinamitassem sua casa o dr. King não deixou de comandar o boicote até que treze meses depois, um tribunal federal revogou a lei segregacionista. Com o sucesso do bus boycott, ele tornou-se uma personalidade nacional. Virou uma celebridade.

Como observou Lerone Bennett, Jr., King “transferiu a luta dos tribunais para as ruas, das bibliotecas de direito para os púlpitos das igrejas, da mente para a alma”. Sim, porque até então a luta anti-segregacionista era travada nas cortes de justiça onde os advogados militantes da NAAC (National association for the advencement of colored people, fundada em 1909) procuravam constranger os juízes, demonstrando a contradição entre as leis isonômicas da democracia americana e a realidade da discriminação racial.

Capitalizando as energias despertadas pelo fim da segregação, ainda que em uma só das cidades, ele fundou a SCLC (The Southern Christian Leadership Conference) que passou a ser a base de suas operações em todo o Sul. Tornou-se um peregrino da causa dos direitos civis, um Freedom fighting, um combatente da liberdade, realizando a difícil tarefa de transformar os princípios sócio-teológicos do cristianismo - inspirado por sua leitura do livro de Walter Raschenbush “The Social Principles of Jesus” -, em realidade. Procurou atrair para ela, para a sua grande causa, graças a sua extraordinária capacidade de “dramatizar a verdade”, outros lideres religiosos afim de evitar que o movimento, em algum momento, resvalasse para a violência. Depois de uma viagem à Índia, em 1959, onde foi recebido por Nehru, retornou ainda mais convencido de que a não-violência era o melhor caminho que os oprimidos tinham a trilhar na sua luta pela liberdade.

Uma nova e vigorosa liderança negra nascia para romper definitivamente com o Compromisso de Atlanta. De nada serviu a abdicação da luta pela igualdade social nem seguir apenas a “educação industriosa” recomendada por Booker T. Washington. No anos 60, eles compunham 10,5% da população, quase 22 milhões de negros, mas o número de pobres e marginalizados entre eles era superior a qualquer outra comunidade étnica americana.

A maioria das boas universidades continuavam fechadas a eles pois não tinham dinheiro nem os pré-requisitos para frequentá-las. Suas escolas eram pobres com professores desestimulados pelos baixos salários. Ao tentarem, no Sul, ingressar nos colégios de 2º grau, foi preciso mobilizar-se tropas federais, como ocorreu em Little Rock, no Arkansas, em 1957. O mesmo repetindo-se com James Meredith ao pleitear estudar na Universidade do Mississippi (*).

Nas cidades amontoavam-se em guetos, como o célebre Harlem de Nova York, cercados pela violência, as drogas o álcool e o banditismo. Nos campos do sul, onde muitos ainda estavam, moravam em choupanas drab and miserable, tristes e miseráveis, ocupando terras improdutivas, sem crédito e sem assistência técnica. Condenavam-se a ter empregos inferiores, rejeitados pelos brancos, mal-remunerados e desprotegidos, o que levava-os a reproduzir uma vida medíocre e desesperançada. Isto tudo era mais doloroso porque viviam no pais mais rico e próspero do mundo. Apesar dos notáveis avanços de muitos deles, a maioria estava ali, à margem, vagando como almas penadas, limitando-se, como disse Lerome Bennett Jr., to sing, to pray, to cry, “a cantar, a rezar e a chorar”!

Poucos espaços a sociedade branca lhes reservara. Mas nos que sobraram eles brilharam. A partir da grande migração negra para o Norte, fugindo dos linchamentos e da homicida segregação dos racistas do Sul, a música negra começou a ganhar o coração dos americanos. Primeiro foi o ragtime, em seguida foi o jazz e suas inúmeras variações. Kansas City, Chicago e depois Nova York, tornaram-se os grandes centros de difusão da música negra americana que, a partir dos anos vinte, iniciou a conquista do mundo. Os negros confiavam que seus grandes artistas, extremamente dotados de sensibilidade, pudessem enternecer a dura alma do branco. A cantora de blues Billie Holiday, morta em 1959, talvez tenha sido a principal porta-voz, ainda que inconsciente, desta esperança.

(*) neste incidente foram convocadas, por ordem do governo de Eisenhower, as tropas da Divisão 101º aerotransportada para assegurar o direito de 9 adolescentess negros de terem acesso à escola pública de 2º grau. Kennedy igualmente recorreu à forças federais para apoiar James Meredith.

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