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Madhi, o Esperado


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O Madhi

Nos decênios finais do século XIX, entre 1881-1898, o Sudão, hoje o maior país da África, conheceu uma rebelião popular de cunho religioso contra o império britânico que conseguiu manter-se em Cartum por bem mais de dez anos. O seu líder autodesignou-se como o Madhi, o esperado. Ele era o messias, o salvador do povo núbio, aquele que vinha para purificar o Islã das nocivas influências do domínio cristão e dos que colaboravam com ele.

Mohamed Ahmed, o Madhi

"A aparência externa dele era extremamente fascinante, pois era um homem de forte constituição e de uma compleição muito escura, sempre mantendo um sorriso tranqüilo na sua face. Ele tinha dentes muito brancos e havia um espaço entre os dois da frente, o que era considerado no Sudão como sinal de muita sorte. O seu modo de conversar também tinha, graças ao treino, algo de agradável e doce."

Padre J. Ohrwaled, que foi prisioneiro do Madhi, 1892

A família dele era considerada próspera para os padrões do Sudão. Construíam barcos na beira do Nilo. Mohammed Ahmed Ibn Seyyid Abdullah, ou simplesmente Muahmad Ahmed, dizem que desde muito cedo sentiu-se atraído pelo chamado de Alá, indo estudar as Sagradas Escrituras, em Cartum, então capital da mais meridional das províncias do Egito. Não demorou muito para ele aderir, em 1861, à seita sufista Sammaniyya, mergulhando fundo nos mistérios insondáveis das escrituras herméticas. Devoção e dedicação completa fizeram com que Ahmed logo conquistasse o título de xeque, autorizado a dar Tariqa e Uhuud, os sinais de iniciação a quem o seguisse.

Sudão, uma terra desolada


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Tempestade de areia (tela de Khalid Hamid)

Dez anos depois, em 1871, ele instalou-se com sua família na Ilha de Aba, no Oeste do Sudão, onde mandou erguer uma mesquita. Pouco tardou para adquirir fama de homem santo. Pôs-se a viajar pelo Sudão. Fatigou suas sandálias visitando Dongola, ou quando baixou o Nilo Azul. Dirigiu-se para Cordofan, no extremo Leste, e também para Sinar, no polo oposto. Em toda parte daquela terra desolada, açoitada por tempestades de areias e secas terríveis, ele ouviu queixas contra o governo turco-otomano do Egito, cujas autoridades demonstravam desprezo pelos ritos muçulmanos e enorme subserviência aos ingleses. Não sabia o homem santo, perguntavam a ele nas aldeias, se um Salvador não estaria para vir?

Foi então que Ahmed, de volta à ilha Aba, começou a ter visões, a ouvir sons estranhos, a atentar para ruídos e chamados noturnos: vozes sussurrantes, mensagens do além. Os primeiros a saber da nova foram seus próximos. Sim, ele era o Madhi! O Messias, o esperado!

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