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Uma Situação Alarmante


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Chamberlain, o ministro inglês do apaziguamento

Como presidente da nação, cabia a ele, Roosevelt, a obrigação de dizer a todos que o futuro da democracia na América estava intrinsecamente enlaçado com os acontecimentos fora das fronteiras nacionais americanas. Portanto, defender com armas as democracias que ainda resistem no mundo todo é uma atividade nobre, pois se esta defesa falhar, todos os recursos da Europa, Ásia, África e Austrália estarão nas mãos dos conquistadores. Isto representa uma massa de população e de recursos muito superior ao do que podemos contar no hemisfério ocidental - sim, muitas vezes maior. Portanto, é infantil supor que a América, sozinha, com uma mão amarrada às costas, possa lutar contra isto tudo. Como também não é realista esperar concertar uma paz justa com os ditadores e que eles possam vir assegurar a independência, o desarmamento mundial, a liberdade de expressão ou crença, ou mesmo ensejar que se façam bons negócios. Tal tipo de paz não trará segurança para nós nem para nosso vizinhos, alegou Roosevelt. Concluiu essas considerações dizendo: "aqueles que querem permutar a essência da liberdade em troca de uma segurança temporária não merecem nem a liberdade nem a segurança." Era uma clara estocada, ainda que tardia, à política do ex-chanceler britânico Neville Chamberlain, que assinara um tratado com os ditadores fascistas em Munique em 1938, sem que tivesse nenhum resultado.

Os Perigos do Apaziguamento


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Lindbergh liderou os neutralistas

Os americanos deviam acautelar-se com aqueles que tocam os címbalos a favor do apaziguamento com os ditadores (havia um forte movimento liderado pelos pró-nazistas americanos para que os EUA permanecessem neutros e aceitassem acomodar-se com Hitler, tendo como participante ativo o herói Charles Lindbergh, o piloto teuto-americano que atravessara o Atlântico em 1927. Eles querem desviar as asas da águia americana em direção aos seus próprios intentos. Mesmo que nos despreocupemos em ser invadidos (a esquadra inglesa não permitiria), é bom lembrar, disse Roosevelt, o caso da Noruega, que teve, ao longo dos anos, sua resistência minada por dentro (o presidente, sem mencionar nomes, faz referência a atuação de Quisling, um norueguês pró-nazista que ajudou na ocupação do seu próprio país). Estava-se assistindo naquele momento, segundo ele, a primeira fase da invasão das Américas, quando agentes secretos e seus acólitos ocupavam em todo Novo Mundo posições importantes nos governos latino-americanos, fazendo com que assim sejam eles, e não nós, quem escolherão o melhor momento para atacar. O esforço dos Estados Unidos será, portanto, evitar o perigo externo, esperando que a justiça e a moralidade vençam no final de tudo.

"Deixem-nos dizer às democracias", acrescentou Roosevelt, "Nós, americanos, estamos vitalmente empenhados, concentrados na sua defesa da liberdade. Nós estamos colocando todas as nossas energias, nossos recursos e nossos poderes organizados, para dar-lhes a força para manterem um mundo livre. Nós colocaremos à disposição um crescente número de barcos, aviões, tanques e fuzis. Este é o nosso propósito e a nossa promessa."

A Nossa Política Nacional


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Roosevelt perante a dívida de guerra

Encerrada a parte dedicada à avaliação geral da situação e o levantamento dos perigos futuros que a democracia e as Américas corriam, Roosevelt concentra então o seu esforço nas medidas práticas a serem adotadas no seu terceiro mandato:

1- Em primeiro lugar a mobilização geral dos cidadãos e a formação de comitês pela defesa nacional.
2 - Sustentar a resistência dos povos de todos que enfrentam a agressão contra a causa da democracia, para que a liberdade prevaleça e reforce a defesa do nosso próprio país.
3 - Nunca aceitaremos um paz imposta pelos agressores ou por seus patrocinadores.
4 - Devemos incrementar de forma acelerada a produção de armamentos, o que será a grande responsabilidade dos líderes industriais e dos trabalhadores, tendo em vista que mudar em todo a nação, a produção de tempo de paz para a guerra não é uma tarefa fácil.
5 - A ênfase desta produção recairá sobre as necessidades da Marinha de Guerra e da Aeronáutica, como novos modelos a serem projetados e fabricados.

Maiores Poderes


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Charge ironiza a marcha de Roosevelt para a guerra

Em vista desse projeto ambicioso de armar-se e de sustentar a resistência das democracias agredidas, Roosevelt solicitou ao Congresso a ampliação da sua autoridade e maiores fundos, no valor de bilhões de dólares. Os americanos, assegurou ele mais uma vez, estão empenhados na defesa da liberdade dos povos democráticos, mobilizando todas as suas energias a favor de um mundo livre, porque "os ditadores não nos intimidarão". Em vista disso, as mãos da nação não poderão estar atadas quando a vida do país está ameaçada. Devemos, enfatizou ele, "usar a soberania do governo para salvar o governo."

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