Roosevelt e as Quatro Liberdades
Recebendo das urnas um terceiro e inédito mandato, o presidente Franklin Delano Roosevelt decidiu-se a fazer um duro, franco, mas esperançoso comunicado à nação no dia seis de janeiro de 1941. O mundo estava em guerra há dezesseis meses, os Estados Unidos, entretanto, ainda não tinham sido atingidos pelos cavaleiros do apocalipse, porém era previsível que a qualquer momento se vissem arrastados para o meio do conflito que se generalizava. Foi neste cenário de expectativa e de temor quanto ao futuro da América e do mundo que Franklin Delano Roosevelt decidiu lançar-se como o paladino da democracia e da garantia das quatro liberdades. Acima de tudo, o seu
adress, o discurso, consagrou-se como um manifesto antitotalitário.
Os Mandatos de Roosevelt
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A derrota significa escravidão, fome, morte
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Eleito pela primeira vez para o quadriênio de 1932-36, Franklin Delano Roosevelt, que herdara a Grande Depressão, resultante da quebra da bolsa de valores de Nova Iorque de 1929, tornou-se um arauto do otimismo. Além das medidas de emergências que tomou, no sentido de diminuir o colossal desemprego (de 12 a 14 milhões de postos perdidos), ele procurou reforçar a auto-estima dos norte-americanos para fazer com que voltassem a crer nas suas possibilidades e nas do país. Que não desanimassem, assegurava ele em suas "conversas ao pé do ouvido" pelo rádio, pois dias melhores voltariam, e a América seria novamente pródiga com seus filhos. Facilmente reeleito em 1936, além da política do
New Deal (o Novo Trato), ele deu ênfase a uma série de medidas intervencionistas para reativar a economia, como a impressionante obra da TVA (Tennessee Valley Authority) no Rio Colorado, o que estava totalmente fora da tradição norte-americana, onde se considerava nocivo o Estado chamar a si iniciativas no campo da produção. Roosevelt travou então batalhas memoráveis com a Suprema Corte de Justiça, bastião do conservadorismo naqueles anos difíceis. Nada, entretanto, era pior do que a conflagração que se iniciara em 1939 na Europa e que se alastrava, terrível, pelos quatro continentes. Até o momento da sua fala ao congresso, a democracia recuava em todas as partes e as nações, uma a uma, vinham sendo ocupadas pelas forças do Eixo, em expansão.
A Ameaça à América
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Os ditadores se expandiam pelo mundo (Mussolini e Hitler)
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Na primeira parte do seu pronunciamento, o chamado
State of the Union Address, Roosevelt alertou os seus concidadãos para o momento extraordinário em que os Estados Unidos viviam. Num rápido sumário histórico, ele enfatizou que, com exceção do que ele chamou de "guerra entre os estados" - a Guerra da Secessão de 1861-5 -, a América, de fato, nunca vira-se insegura quanto ao seu futuro. Hoje, orgulhava-se ele, os 130 milhões de habitantes que a compunham e os 48 estados que a formavam esqueceram-se das suas diferenças em favor da união geral. Nem nas duas guerras contra as nações européias (contra o reino da Espanha, em 1898, e contra o império alemão em 1917-8) e incontáveis outros enfrentamentos menores ocorridos em diversos lugares do mundo, houve sequer uma só ameaça séria à segurança e à continuidade da independência dos americanos. Durante quase um século, de 1815 a 1914, nenhuma outra guerra fora capaz de abalar os alicerces da autonomia norte-americana, nem a dos seus vizinhos (com exceção do interlúdio do imperador Maximiliano no México, em 1864-67, apoiado por tropas de Napoleão III).
A situação mudou
Nem mesmo o alastramento do conflito que se acelerou ainda mais no ano anterior (em 1940, Hitler ocupou a Holanda, a Bélgica, a França, e o Japão invadira a Indochina, além de aprofundar-se na conquista da China), era ainda uma ameaça séria à América. Mas o povo americano, observou ele, com o decorrer do tempo, percebeu que a queda da nações democráticas significava um enfraquecimento da democracia como um todo, inclusive da própria democracia em seu país.
Considerações sobre a Paz Injusta
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Ingleses, batidos, retiram-se de Dunquerque, 1940
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O presidente concordava que o Tratado de Versalhes, assinado em 1919, fora injusto e que as democracias fracassaram na época da reconstruções do após-guerra, mas isso não significava aceitar que as tiranias dominassem e se espalhassem por cada um dos continentes. Qualquer pessoa dotada de censo de realidade via que a democracia estava acossada em toda a parte do mundo, assaltada pelas armas e pela propaganda envenenadora, promovida por aqueles que semeiam a discórdia entre as nações que ainda estão em paz. Durante os últimos 16 meses este assalto destruíra um número impressionante de nações independentes, grandes ou pequenas.
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