De Pearl Harbor aos kamikazes
De imediato pensou-se num novo Pearl Harbor, uma reprise do inesperado ataque nipônico de 1941 à base americana do Hawai. Porém, há uma enorme desproporção nos recursos empregados naquela oportunidade frente ao ocorrido recentemente em Nova York e Washington. Naquela oportunidade, a Marinha Imperial japonesa usou mais de 30 navios e lançou duas ondas de torpedeiros e aviões zero, uns 300 deles, sobre os barcos e campos de pouso americanos para provocar baixas. Chegaram a 3.500 mortos (90% delas de militares). Os japoneses, por sua vez, perderam 69 pilotos.
Em seguida, muitos jornais, cobrindo o espantoso desabamento do dia 11, lembraram os kamikazes do final da II Guerra Mundial. Época em que jovens pilotos nipônicos, desesperados com a proximidade da invasão norte-americana das Terras do Sol Nascente, jogaram-se em massa contra as belonaves inimigas que cercavam o Mar do Japão. Novamente os dados são impressionantes inferiores se comparados aos estragos dos 19 sahids, os suicidas islâmicos de Osama Bin Laden, que vitimaram de 3 mil a 4,8 mil cidadãos americanos sem dispar um tiro sequer.
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Ataque kamikaze em 1945 e ataque dos sahids em 2001
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Uma fissura psicológica
Para alcançar matar cinco mil marinheiros americanos (é o que se calcula que os kamikazes tenham atingido), os nipônicos perderam 210 aviões na batalha do Golfo de Leyte nas Filipinas e outros 2.394 na batalha de Okinawa. Se bem que tenham posto a pique uma quantidade impressionante de barcos e de porta-aviões, as baixas provocadas pelos Tokkotai (ataques especiais) foram reduzidas. Tudo isso acentua a excepcionalidade histórica dos atentados de 11 de setembro de 2001, que fizeram por abrir uma fissura na estrutura psicológica do americano comum, que ainda estamos bem longe de poder avaliar.
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