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Uma Pequena Igreja

Michelet viu-os como uma oligarquia de militantes que se pôs no lugar do povo, falando e agindo na suposição de que o povo faria o mesmo se assim pudesse. Essa oligarquia, por sua volta, estava ela mesmo sujeita às solicitações do aparelho, dos seus líderes e dos profissionais da política. Além dessa vocação "substitutiva" (sempre se achando "o povo", o que também marcou os bolcheviques russos de 1917), os jacobinos eram obcecados pela unanimidade. A qual devia ser alcançada a qualquer preço, o que inevitavelmente provocou a "enfermidade da suspeita", fartamente alimentada pela cultura da denúncia e da delação, fazendo com que se envolvessem num redemoinho de escrutínios expurgatórios.

Uma Conjuração Pública

Intolerantes, brigões, sempre prontos a tomarem satisfações fosse de quem fosse, desconfiados quase que à paranóia, eram "uma conjuração pública contra a conspiração, visível ou invisível, da aristocracia". Pareciam adeptos de uma " pequena Igreja", freqüentada pelos fiéis do patriotismo em perigo, sempre mobilizados a favor da pureza cívica, devotados à austeridade e à liberdade. Pode-se dizer que foram uma espécie de contra-elite concorrente e oposta à aristocracia do nascimento, reivindicando com uma energia extremada o espaço para o talento pessoal e para a dinheiro. Tudo isso misturado às demandas igualitárias dos sans-culottes, às primeiras reclamações feministas e operárias que afloraram com a Revolução de 1789.

Leões e Raposas

reprodução
Napoleão, um ex-jacobino
Se seguíssemos a concepção que viu a vida política como algo muito próximo ao mundo zoológico, senão mesmo uma extensão dele, como Vilfredo Pareto o fez, poderíamos identificar os jacobinos como uma alcatéia de jovens leões famintos, ágeis e sanguinários, desejosos de deslocar as decadentes raposas aristocráticas do controle das esferas superiores da sociedade e do poder. Porém eles apenas abriram passagem para um que um outro leão, bem mais afinado com o espírito de uma raposa, chegasse ao governo da França e ao império da Europa: o jovem general Napoleão Bonaparte.

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