Nada de Indulgências
Logo, nada de indulgências para com os realistas. Perdão sim para os inocentes, para os fracos, para os infortunados. Perdão para a humanidade! O governo popular só deve proteção aos cidadãos pacíficos, aos republicanos sinceros. Não aos traidores, os que espalham panfletos infamando a causa do povo, que matam a virtude pública, que espalham a discórdia civil e que preparam moralmente a contra-revolução. Seriam tais homens menos culpados ou perigosos do que aqueles a quem eles servem?
Esse tipo de discurso é que levou Augustin Cochin, um estudioso do jacobinismo, a identificá-los como os precursores do moderno totalitarismo, pois tomaram a si a idéia de Rousseau da vontade geral para submeter todos à ideologia deles.
A Perda da Medida
A certeza de que o terror poderia purgar uma sociedade inteira, fazendo da guilhotina um instrumento da implantação da virtude, cegou os jacobinos mais extremados. Não souberam quando parar. Os movimentos de Robespierre e seus partidários tornam-se confusos, quase erráticos. De um lado, em 14 de março de 1794, tratou de eliminar os extremistas da esquerda, os irados do padre Roux e os hebertistas, que formavam boa parte do clube dos Cordeliers, em seguida, no final daquele mês de março, voltou-se contra à direita, os indulgentes de Danton, Desmoulins, Philippeaux e Delacroix.
 O fechamento do clube jacobino (novembro de 1794) |
Por fim, deu para ameaçar a todos os convencionais, os centristas do marais (o pântano). Corria o boato que 32 convencionais seriam presos e guilhotinados em breve. A impressão que a tirania de Robespierre causou é que a máquina de decepar cabeças, acionada por ele, tinha assumido vida própria, decapitando a torto a direito, sem que ninguém mais conseguisse desligá-la. Até que, ao dar-se o
Golpe do Termidor, em 28 de julho de 1794, o terrível aparelho voltou-se contra ele e seus próximos (Saint-Just, Couthon, Hanriot, Robespierre, o jovem, etc.). Os demais líderes jacobinos que sobreviveram ao desastre do 9 do Termidor foram enviados para o desterro na Guiana francesa, nas bordas da floresta amazônica (Coloth d'Herbois, Billaud Varenne, Francóis Barthélemy, e outros).
Fases do Jacobinismo
É ainda em Michelet onde encontra-se as melhores análises sobre os jacobinos. A partir dele pode-se inferir três momentos que o célebre clube atravessou:
Jacobinismo original (1789-1791)
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Vindo do clube bretão, parlamentar e nobiliárquico, formado por Barnarve, Dupont e Lameth, freqüentado por Mirabeau e Lafayette, e que se chamou de "Sociedade dos Amigos da Constituição"
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Jacobinismo misto (1791-93)
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Aberto aos jornalistas republicanos, aos orleanistas, e que ainda mantém vínculos com a constituição de 1791. Rebatizado como "Sociedade dos Amigos da Liberdade e da Igualdade", é o clube de Brissot e Laclos, mas onde Robespierre prevalece.
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Jacobinismo extremista (1793-94)
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Expurgado dos moderados que foram para o clube dos Feuillants, torna-se um instrumento de Robespierre e do seus grupo, os defensores da "Virtude pelo Terror", que terminam levando ao desastre do Termidor e ao fim do clube (foi fechado em novembro de 1794)
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Características e Propósitos
Assegurando que "alguns já nascem jacobinos", Michelet indicou que o radicalismo de muitos deles era uma questão de temperamento. De fato, detestavam os "cidadão mansos", procurando sempre excitar a energia do homem comum convocando-o para a ação direta. O ultraconservador De Maistre, ao avaliar o estrago que os jacobinos fizeram na época do terror, ao devastar a nobreza francesa, viu-os como um instrumento da punição divina. Os aristocratas, entregues aos luxos e aos costumes escandalosos durante o Antigo Regime, disse ele, terminaram por ser alvo da indignação dos céus que enviou a gente de Robespierre para fazê-los padecer no cadafalso.
Independentemente de tais considerações, os jacobinos viam-se como "as sentinelas da democracia direta e da inalienabilidade da vontade popular". Para eles, a "soberania nacional era indivisível", inclinando-os à aceitação de uma centralização e concentração do poder de uma forma bem mais intensa do que o próprio absolutismo a quem combatiam - a "soberania é una e indivisível!"
O que os indispôs conta qualquer dissidência, agilizando um sistemático ritual de expulsões, afastando do clube todos os que não alinhavam o passo com eles. Podia-se até ter uma prévia do iria ocorrer mais tarde na Convenção Nacional acompanhando-se as seções internas do clube jacobino. O processo do rei, o banimento e supliciamento da Gironda, dos Irados, dos hebertistas e dos dantonistas, tudo isso se deu antes na sala do refeitório do convento da Rua Saint-Honoré.
O objetivo final deles, na síntese feita por François Furet, era manter a nação purificada dos seus inimigos, composta por cidadãos iguais e virtuosos, regenerados pela educação e pelo serviço da pátria.
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