O Reino da Virtude
Fazia mais de meio ano que o terror havia sido colocado na ordem do dia. A contra-revolução, aos olhos do jacobinos, não se limitava mais aos realistas, aos membros do clero ou aos
chouans rebelados na Vendéia. O
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| Pregando a virtude e o terror |
círculo de resistência à revolução se ampliara. Os reacionários tinham mil vidas, eram a cabeça da hidra de onde mal se arrancava uma serpente e em seguida nascia outra. Os próprios girondinos de Brissot e de Roland, que chegaram a se alçar ao governo da República, foram vistos como suspeitos, denunciados, presos e 21 deles guilhotinados. Era preciso porém justificar isso tudo aos olhos da nação. Quando Robespierre falou na convenção no dia cinco de fevereiro de 1794, nos últimos seis meses, 269 pessoas haviam sido publicamente supliciadas, havendo ainda outras 5.436 aguardando serem apresentadas às barras dos tribunais revolucionários, conhecidos pelo rito sumário que aplicavam suas sentenças.
O Império das Leis Constitucionais
O objetivo do novo regime, disse Robespierre, era implantar e consolidar a democracia, instituir o Reino das Leis Constitucionais, em oposição ao arbítrio jurídico dos reis. E qual era o princípio fundamental desse regime democrático? Nada menos do que a virtude! A tão apreciada virtude pública que tantos milagres produzira nos tempos da Grécia e da Roma antiga, virtude que nada mais é do que amar a pátria e as leis do país, para assegurar a essência da democracia - a igualdade.
 A destruição dos antigos valores |
Para que isso se desse era preciso que o interesse público sempre estivesse bem acima do particular, que o coletivo predominasse largamente sobre o privado. Poderia esperar-se, perguntou então Robespierre, que pessoas escravizadas à avareza e à ambição tivessem um tal espírito? Estariam elas dispostas a sacrificar seus ídolos exclusivistas, particularistas, ao altar da pátria? Além disso a virtude não pode apenas estar confinada ao governo ou somente ao povo. Um povo sem virtude, um povo corrupto, põe a perder a liberdade. Felizmente, apesar dos preconceitos aristocráticos, o povo é virtuoso. E quando consegue romper, por meio de prodigiosos esforços, com as cadeias do despotismo, faz delas, das suas algemas, troféus da sua liberdade.
Num tal cenário, frente a um povo livre, como deve agir o governante? Com confiança no povo e com severidade para consigo mesmo. Tudo ocorreria bem se o governo popular navegasse em águas calmas, tranqüilas. Mas é o contrário que se dá. Lá fora a tempestade ruge impondo outros desafios à revolução.
Um Confronto de Morte
Qual é a força do governo popular? Simplesmente colocar o interesse geral acima do privado, do particular. Qual a nossa fraqueza? Exatamente por isso, por defender o geral, atraímos contra nós todos os homens viciosos, os que querem despojar impunemente o povo dos seus bens, os que rejeitam a liberdade como se tratasse de uma calamidade pessoal, os que abraçaram a revolução como se ela fosse uma carreira, imaginando a República como uma oportunidade de pilhagem. Nessas circunstâncias, dois espíritos travam na França uma luta que afetará o destino do mundo inteiro: o da liberdade contra o da tirania. Precisamos pois abater os inimigos internos e externos ou então pereceremos com a República.
Virtude e Terror
 Purificar a sociedade pelo terror |
O dever máximo da política jacobina que então se impõe é liderar o povo com a razão e os inimigos com o terror, pois se na primavera, em tempo de paz, a virtude é o princípio do governo popular, durante a revolução ele é o terror. Afinal "virtude sem vontade de aplicar o terror é fatal, e sem vontade a virtude é uma fraqueza". Por fim, pergunta o orador, o que vem a ser o terror senão a justiça, pronta, serena, inflexível? O terror nada mais é do que aplicação imediata dos princípio democrático num país tumultuado, sofrendo as mais urgentes necessidades. Dizem que o terror é o princípio do despotismo. Sim, ele é! Da mesma maneira que a espada dos heróis da liberdade é a arma para fazer frente aos asseclas da tirania: "o governo da revolução é o despotismo da liberdade contra a tirania!".
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O Clube Bretão |
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Um Sinônimo da Revolução |
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Um Confronto de Morte |
Virtude e Terror |
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Uma Pequena Igreja |
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