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O Olho da Revolução

"Les Jacobins ne sont pas la Révolution, mais l'oeil de la Révolution, l'oeil pour surveiller, la voix pour accuser, le bras pour frapper. "
(Os Jacobinos não são a Revolução, mas o olho da Revolução, o olho para vigiar, a voz para acusar, o braço para golpear)
Jules Michelet- Histoire de la Révolution Française, I, Livro IV, IV, 1847

reprodução
A panfletagem divulga a revolução
Formados por gente de quase todas as classes, os clubes jacobinos que se espalharam pela França a partir de 1789 chegaram a ser mais de 400 em 1791. Data em que, a partir de primeiro de junho, também passou a divulgar entre os seus correspondentes o seu Journal des Débats de la Societé des Amis de la Constitution Séant aux Jacobins de Paris. As origens sociais dos seus integrante eram as mais variadas possíveis. No interior era comum ter entre eles gente rica. Em Paris, na sua primeira fase, parecia um clube de letrados, de deputados e de artistas; entre estes o pintor David, Vernet, Larive, o grande ator Talma, os escritores La Harpe, Chénier, Chamfort. Andrieux, Sedaine, e o libertino Chordelos de La Clos.

Nem por isso os jacobinos deixavam de abrir uma sala aos trabalhadores para que se lhes explicassem a Constituição. As mulheres dos operários e dos sans-culottes também tinham um espaço. Talvez por isso, por tal indefinição social, não tivessem eles a coesão dos partidos ideológicos contemporâneos. Havia porém denominadores em comuns entre os seus quadros. Jules Michelet, o grande historiador da revolução, os descreveu como um pequena igreja sem um credo. Devotos da causa pública, dos princípios de 1789, atuavam como uma espécie de promotores públicos, tudo controlando, tudo vigiando, tudo denunciando.

Nada escapava do seu olho atento, "o olho da revolução", exigindo das autoridades medidas imediatas contra o que lhe apreciam ser contra-revolucionário ou contemporizador para com a aristocracia. A denúncia passou a ser para eles um dever cívico, devassando com seus olhar de suspeição qualquer sinal de tibiez revolucionária, qualquer falta de firmeza das novas autoridades, qualquer hesitação ou ambigüidade frente ao inimigo. Com o tempo, não havia cidade, aldeia ou guarnição onde não houvesse um dos seus, escrevendo cartas alarmistas para Paris, para a sede-mãe, o clube da Rua Saint-Honoré. Lá, na abertura da seção, a correspondência - quase toda ela apontando as "hidras despertadas contra a liberdade", ou ameaçando os inimigos com os "punhais tiranicidas" - era lida em público.

A Voz da Revolução

O clube teve grande oradores. Mirabeau e Lameth, na primeira fase, Brissot, Danton e Robespierre depois. Quando eles falavam, os 400 ou 500 jacobinos presentes prendiam a respiração. Mas qual programa defendiam? Depois do expurgo do chamado "triunvirato", dos três fundadores do clube - Barnarve, Duport e Lameth (que fundaram o clube do Feuillants, numa dissidência que teimava em ainda sustentar a legalidade monárquica constitucional mesmo depois da fuga do rei em 1791), seguida da expulsão de Brissot, que se foi para o lado dos girondinos, o clube foi dominado pela oratória republicana e revolucionária de Maximilien Robespierre. Quem o viu em ação, acreditou-o um Demóstenes com barrete frígio, vestindo a toga de um Catão.

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