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A presidência Jackson

Como 7º presidente dos Estados Unidos da América, Andrew Jackson afirmou-se como o porta-voz dos sentimentos do povo em geral, não do partido, ou de um grupelho de seguidores. Pode-se dizer que cultivou uma presidência imperial, tanto é assim que seus adversários em pouco tempo o chamaram de King Andrew I, por ele impor uma forte liderança no legislativo fazendo uso do veto. Mesmo tendo vindo dos acampamentos e dos bivaques, ele não queria que os Estados Unidos abrigassem um exército numeroso e permanente. Que as tropas fossem poucas, ocupadas em dar combate aos índios. Assim, deixavam o povo em paz para prosperar e evitava-se a praga do caudilhismo fardado que infestava a América Latina naqueles tempos.

Para ele, o exército do povo era a milícia, o cidadão trabalhador que eventualmente era chamados às armas para servir ao país. Por detestar bancos, tratou de liquidar com o Banco Nacional em 1832, instrumento da aristocracia endinheirada, estimulando a formação de pequenos estabelecimentos financeiros pelo resto do país para facilitar o acesso ao crédito.

Sentindo-se herdeiro de Jefferson, ajudou a aprofundar o sistema democrático à reforma do antigo partido dos democratas-republicanos, lotando-o com gente plebéia, de pouca educação, mas com muito entusiasmo. O mesmo fez com as funções públicas. Para escândalo de muitos, indicou para os mais diversos cargos gente de bem poucas letras.

O que Jackson provavelmente desejava é mostrar com isso é que com ele o povo finamente tomara o poder. Para assinalar essas mudanças, na 3ª convenção do partido, em 1840, eles mudaram a sua designação definitivamente para Partido Democrata. Seu grande achado foi a aliança que estabeleceu com um espertíssimo político de Nova Iorque, Martin Van Buren, apelidado de Little Wizard, o pequeno mágico, que controlava a grande máquina eleitoral daquele estado, selando uma aliança entre a fronteira, sempre em expansão, e os negócios, sempre em crescimento, o que será uma das chaves da prosperidade americana.

A Era Jackson

Alto, com um rosto duro marcado pelo sol a cabeleira agrizalhada pelas cruezas da vida, com o corpo carregando as marcas dos balaços que recebera, Andrew Jackson era talvez o mais típico dos presidentes americanos. Era um homem de fronteira dos pés à cabeça que conhecia parte do país em marchas à cavalo! O historiador Frederick Jackson Turner, que celebrou a importância da fronteira na formação da democracia americana (The Frontier in American History, 1893), viu-o como o melhor representante da sua tese, isto é, que a América devia o seu regime libertário à existência da fronteira personificada em Andrew Jackson.

O homem do Western World, do mundo do oeste, que voltava as costas ao Oceano Atlântico e olhava para o interior do continente, com fome de terras, de ouro e de pastos. Durões, individualistas, ambiciosos, tenazes, brigões, acostumados a conquistar tudo no braço, com rifle, com machado ou com arado, os frontiersman eram, então, a essência do americanismo. Andrew Jackson parecia-se com o que o poeta Lowell chamou de new birth of our new soil, the first american, "o novo nascimento do nosso novo solo, o primeiro americano. (in Commemoration Ode).

O próprio F.J.Turner concorda, porém, que foi temerário fazer a reforma do funcionalismo tal como Jackson procedeu. Somente uma democracia ainda primitiva como era a americana nos anos de 1830, poderia suportar a ocupação de postos importantes por gente despreparada, não-educada para assumir atribuições elevadas. Hoje seria uma calamidade. Mas a rotatividade pelo menos treinou muitos deles, pelos país inteiro, no exercício da administração pública, experiência que jamais haviam tido. Jackson foi um divisor de águas, entre uma democracia do patriciado, representada por Jefferson e os virginianos, que se estendeu até 1828, e uma democracia popular materializada por ele e por sua gente. Para outros estudiosos, ele de certa forma foi o pai do moderno populismo não só americano como latino-americano. O grande chefe popular que, mesmo vindo dos confortos, abraça a causa do povo para enfrentar a elite e os oligarcas (tal como Getúlio Vargas, o general Cárdenas e Juan Domingo Perón o fizeram).

A velha nogueira

reprodução
O Hermitage, onde Jackson faleceu em 1845
Reeleito em 1832, o Old Hickory, a Velha Nogueira, como o apelidavam, não só trucidou eleitoralmente o seu adversário, como ainda elegeu o seu sucessor Martin Van Buren, esticando a Era Jackson para até a data da sua morte, na sua tão prezada propriedade deHermitage, onde ele vivia como um velho patriarca, em 1845. A abolição da escravidão por sua vez, ainda tardou quase vinte anos mais, quando Abraham Lincoln, um outro homem da fronteira (viera do Illinois), assinou, em meio a terrível Guerra da Secessão, a XII Emenda em 1863.

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