BUSCA + enter






A emergência de Jackson

tela de Sully
A. Jackson presidente, 1830
Aspirando e captando esse ar de desconformidade da política nacional estar nas mãos da gente educada e bem posta de virginianos e de advogados de Boston, no Massachusetts, emergiu da região da fronteira a figura do general Andrew Jackson. Na verdade, ele já deveria ter sido eleito presidente em 1824, mas foi vilmente enganando (segunde ele, mas parece que foi verdade) por manobras de John Quincy Adams, do mesmo partido - o dos democratas republicanos. Andrew Jackson não era homem de se conformar. Botou seu vozeirão em ação, denunciando por todo os lugares que o candidato do povo havia sido ultrajado por politiqueiros profissionais a serviço do dinheiro. Os ricos estava articulando as coisas para que os representantes do common people, do homem comum, não pudessem chegar à Casa Branca em Washington. O país ficou em polvorosa. Em 1828, Jackson esmagou Adams que concorria à reeleição. O colégio eleitoral deu-lhe 178 escrutínios contra 83 do opositor. No sufrágio popular, ele somou 647 mil votos enquanto o concorrente mal ultrapassou os 500 mil. Finalmente alguém autenticamente dos "comuns" chegava ao posto de Supremo Mandatário da América. O povo convidado para a festa da posse, em março de 1829, não se fez de regado - quase destruiu a Casa Branca. Foi, ainda que em escala minúscula, a tomada da Bastilha dos americanos.

As bases jacksonianas

Jackson catalisou muito do rancor dos imigrantes, particularmente de irlandeses e escoceses, contra os descendentes de ingleses, ou contra a anglomania que boa parte da elite do leste cultivava. Apresentou-se como um chefe nativista, como um "autêntico americano", e de fato, assim o era. Desde garoto, sua família de pobres irlandeses-escoseses vinda das Carolinas, onde ele nascera em 1767, fixara-se no Tennessee, terra fronteiriça por excelência. Depois de alguns fracassos econômicos, Jackson estabilizou-se e prosperou, construindo, a partir de 1819, para a sua amada esposa Raquel, uma magnífica herdade, a Hermitage, nas proximidade de Nashville. Ele era a concretização do american dream, o sonho americano, daqueles tempos. O rapaz pobre e lutador (Jackson ferira-se na Guerra da Independência quando tinha só 14 anos), que, esforçado e batalhador (era um autodidata em leis), construíra o seu próprio patrimônio (a plantação de algodão no condado de Davidson, no Tennessee, com 140 escravos).

O tostão contra o milhão

Não herdou nada de ninguém e nem pegou um tostão sequer do governo para progredir na vida. O fato de ser um homem de fortuna recente não afastou-o dos seus, do seu passado de gente pobre, de ter um sincero sentimento pelos que davam duro na vida. Desprezava os esnobes e os pedantes, mas enternecia-se com a rudeza autêntica dos roceiros e caçadores, com o mascar do tabaco e com os cachimbos de sabugo, os quais os acompanhavam nas guerras contra os índios. Com ele se identificaram as mais diversas classes, profissões e grupos étnicos. Os trabalhadores urbanos, os artesãos, os pequenos fazendeiros e os arrendatários, os fabricantes de coisa miúda, os lojistas e até plantadores do sul escravista, formavam a base do que veio a constituir-se no Partido Democrata. Pode-se dizer que ele construiu uma aliança entre o Oeste e parte do Sul para afastar os empertigados de Boston e de Richmond da Casa Branca. O equivalente norte-americano do tostão contra o milhão!

Jackson, herói

Além disso Jackson era um herói. Quando ocorreu a Guerra de 1812, também conhecida como The War Hawks, a Guerra dos Falcões, na qual os Estados Unidos travaram uma batalha continental novamente contra a ex-metrópole, o Reino da Grã-Bretanha (o fronte estendia-se dos Grandes Lagos canadenses até o Golfo do México, milhares de quilômetros ao sul), pelos direitos de livre comércio com a Europa (nas mão de Napoleão). Andrew Jackson conseguiu o feito de, em janeiro de 1815, desbaratar um desembarque dos ingleses em Nova Orleans, matando quase dois mil deles apenas com o auxílio da milícia local e de alguns atiradores do Kentucky (por serem bons no alvo e o seguirem como a um deus desde os tempos das guerras contra os índios Creeks).

Virou da noite para o dia em herói nacional. Ao cessar o que muitos historiadores americanos chamaram a Segunda Guerra da Independência pelo Tratado de 1815, ele passou a ser visto como um provável novo Washington, o general que sai vitorioso da guerra e troca os galões militares pela faixa presidencial. O que depois irá ocorrer também com o general Zacharias Taylor na Guerra contra o México (eleito em 1849); com o General Ulisses Grandt que venceu a Guerra da Sucessão (eleito em 1869); com Theodore Roosevelt por ter se consagrado na Guerra Hispano-americana de 1898 (eleito em 1901); e com o general Dwight Eisenhower, por ter sido vitorioso na Segunda Guerra Mundial (eleito em 1953).

| |

1 | 2 | 3 | 4



 ÍNDICE DE MUNDO





 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2002,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central de Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade