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A morte de Che Guevara | Argentina, 1928-1953 | Guatemala 1953-4 | México 1954-6 | Cuba: a guerrilha: 1956-9 | Cuba: o poder, 1959-1965 | Congo, 1965 | Bolívia: 1966-7 | Conclusão | Bibliografia

Che Guevara: vida e morte
de um revolucionário

Bolívia: 1966-7


"....ficamos/ sem rancho onde morar/ sem ramada a que ganhar/
nem rincão aonde fugir/camisa que nos vestir/
ou poncho pra nos tapar."

José Hernández “El gaucho Martín Fierro”(Canto XII, 657)

Em novembro de 1966, o economista uruguaio Adolfo Mena Gonzáles, registrou-se num hotel em La Paz, capital da Bolívia. Era Che disfarçado. Segundo o chefe do PC boliviano Mário Monje, a função deles, dos comunistas bolivianos, seria apenas servir de trampolim para que Guevara pudesse alcançar a Argentina. Um seguidor de Che, o jornalista Jorge Masetti, já havia tentado, em 1963, sem sucesso, instalar um foco em Salta, na Argentina. Praticamente todos foram mortos ou desapareceram. Mas Che não perdia a esperança de que sua presença catalisaria as energias revolucionárias, o que, por si só, poderia fazer eclodir a revolução. Foi olhando para a Argentina que Monje comprou uma propriedade ao sul, em Ñacahuazú, mais próxima da fronteira de Salta do que de La Paz. Lá o grupo de Che Guevara se instalou. Comunicaram então a Monje que o objetivo primeiro era dar início a uma guerra na Bolívia e, depois, dependendo da evolução dos acontecimentos, expandi-la para outros países vizinhos. Monje então exigiu que a chefia do movimento fosse entregue a um boliviano. Che Guevara rejeitou. Para um “internacionalista” como ele, um revolucionário itinerante, essas questões nacionais tinham menor significado. Erro de avaliação que ele pagou com a própria vida.

Não demorou para que problemas de toda a ordem acometessem o grupo de guerrilheiros. Os contatos com Havana tornaram-se raros, as confusões com os bolivianos só aumentaram e o pior é que não havia adesão nenhuma da população local. Eram recebidos, quando adentravam nas aldeias e vilas, por olhares pétreos ou assustados. E, ao invés de angariar simpatia, eram vistos como intrusos que trariam problemas para as comunidades. Os chefes políticos, os corregidores, não demoravam em relatar às autoridades militares o roteiro da guerrilha, apontada como invasora apátrida. E, assim Che Guevara, exausto e adoentado, marchou, nos primeiros dias de outubro de 1967, definitivamente para o cerco e para a morte. No remoto vilarejo de La Higuera, só, terminou seus dias de peregrino da revolução.

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