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A morte de Che Guevara | Argentina, 1928-1953 | Guatemala 1953-4 | México 1954-6 | Cuba: a guerrilha: 1956-9 | Cuba: o poder, 1959-1965 | Congo, 1965 | Bolívia: 1966-7 | Conclusão | Bibliografia

Che Guevara: vida e morte
de um revolucionário

Congo, 1965


“Nada ele ganha na paz,
mas é o primeiro na guerra; (...)
Vamos sorte; vamos juntos/ já que assim juntos nascemos
e já que juntos vivemos/ sem poder nos cindir
Abrirei com meu punhal/ o caminho pra seguir!...”

José Hernández “El gaucho Martín Fierro”(Canto VIII, 238-241)

Nos anos 60 Che tornou-se o símbolo vivo e itinerante da Revolução Cubana. Sua barba, seu uniforme e a boina, tornaram-no a materialização da insurreição. Conheceu os grandes personagens da política mundial da sua época: Krushev, Mao-Tse-tung, Tito, Nasser, Ben Bella, sendo inclusive condecorado pelo Presidente Jânio Quadros. A vida estável, familiar, rotineira - Che casara a segunda vez com uma cubana, Aleida, com quem teve quatro filhos - não condizia com seu temperamento. O pó da pólvora havia entrado em seu sangue.

Como havia um rebelião ainda não completamente sufocada no Congo (atual Zaire) ele concebeu um plano de “enfrentar o imperialismo em outro fronte”. Tratava-se, como ele escreveu para a revista Tricontinental, em 1965, de “criar dois, três Vietnãs”, afim de fazer com que os EUA dispersasse suas forças. O líder nacionalista do Congo, Patrice Lumumba, fora assassinado em 1961, durante a tentativa de secessão da rica província de Katanga. O poder então caiu em mãos de Kasavubu e de Tshombé, que mantinham o país num situação neocolonial, onde as empresas mineradoras belgas e americanas continuavam dominantes. No Congo oriental, um agrupamento nacionalista, dirigido por Laurent Kabila, ainda esboçava uma resistência. Che resolveu aderir na esperança de poder reverter o quadro.

Foi seu “delírio africano”. Com um grupo de 100 cubanos “internacionalistas” Che, com o codinome Tatu (do swahili), chegou à região em abril de 1965. Foi uma decepção. Os líderes africanos quase nunca vinham ao fronte, o despreparo das forças era total. Não havia a mínima disciplina e os congoleses, além de acreditarem no dawa (corpo-fechado) e na magia dos feiticeiros, não queriam nem transportar os equipamentos e alimentos. Os próprios cubanos começaram a por dúvidas no sentido daquela operação militar. Afinal era uma guerra africana, cujas regras eles pouco entendiam. Além disso o governo de Kasavubo havia contratado as eficientes tropas mercenárias de Mike Hoare que, em geral, punham os congoleses a correr.

Em novembro de 1965, Che, mesmo a contragosto, teve que concordar em abandonar a missão. Atravessou o Lago Tanganica de volta à Tanzânia, desanimado e abatido pelo fracasso. Um mês antes Fidel Castro, para afastar os boatos de desentendimento entre ele e Che, obrigou-se a ler publicamente uma carta de despedida do amigo, onde ele renunciava a todos os postos e cargos que ocupara no governo cubano, como abdicava da própria nacionalidade cubana. Em segredo, escondeu-se na embaixada cubana em Dar es Salam, na Tanzânia, recuperando-se das várias doenças que adquirira na selva africana e cogitando qual seria o próximo passo a dar.

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