A morte de Che Guevara | Argentina, 1928-1953 | Guatemala 1953-4 | México 1954-6 | Cuba: a guerrilha: 1956-9 | Cuba: o poder, 1959-1965 | Congo, 1965 | Bolívia: 1966-7 | Conclusão | Bibliografia
Che Guevara: vida e morte
de um revolucionário
Cuba: a guerrilha: 1956-9
“Entro e saio do perigo
sem que se espante o estrago;
não cedo ao primeiro amágo...”
José Hernández “El gaucho Martín Fierro” (Canto VI, 167)
A Cuba dos anos cinqüenta era uma semicolônia norte-americana. Sua luta pela Independência, iniciada em 1895, provocara a intervenção dos ianques que derrotaram a Espanha, na guerra de 1898, fazendo com que a ilha se tornasse um prolongamento dos seus interesses no Caribe. A agricultura era quase que exclusivamente dedicada ao açúcar, que representava 50% da safra e 80% das exportações. Um em cada cinco cubanos dependia da cana-de-açucar. Quase todas as usinas eram americanas e os Estados Unidos absorviam a metade da sua produção.
A pseudoindependência que obtivera, especialmente depois da rescisão da Emenda Platt, em 1934, não alterou o perfil monocultural da sua economia. Muito do nacionalismo extremado dos cubanos, manifestado pela radicalidade dos acontecimentos a partir de 1959, deve-se a essa situação de dependência.. Mantinham uma relação de respeito e ódio pelos americanos. Quando Fidel Castro se insurgiu, ele reivindicava o retorno à constituição democrática de 1940 que havia sido aviltada pelo golpe militar de Batista. Não cogitava nenhum tipo de revolução social, muito menos converter a ilha num regime comunista.
O Granma, ao se aproximar do litoral cubano, em 2 de dezembro de 1956, encalhou. Os insurgentes perderam grande parte do material. O pior, porém, ainda estava por vir. Dias depois foram pegos numa emboscada pelo exército do ditador em Alegria del Pio. Quase foram dizimados. Menos de vinte homens sobreviveram para chegar ao alto da Sierra Maestra para juntar-se a Fidel Castro e dar inicio ao combate.
Foi nessa ocasião que Guevara, agora chamado definitivamente de Che, deixou de ser médico para tornar-se guerrilheiro. Em pouco tempo mostrou-se extremamente capaz de comandar homens e, apesar de ser estrangeiro, ganhou a admiração e respeito dos cubanos. Fidel Castro conseguiu não só sustentar-se no alto da Sierra como articular-se politicamente com a maioria das forças oposicionistas contra Batista. Até a simpatia da opinião pública americana ele atraiu ao mostrar-se um jovem idealista lutando contra uma ditadura corrupta latino-americana. Depois do fracasso de várias tentativas de liquidá-lo, feitas pelo exército e pela aviação de Batista, feitas em 1957-8, Fidel deu ordem a que duas colunas de guerrilheiros se lançassem na ofensiva. Uma era liderada por Camilo Cienfuegos e a outra por Che Guevara. O acontecimento mais espetacular se deu quando Che Guevara tomou Santa Clara, a penúltima cidade antes de chegar-se à capital. Ao saber da queda da capital provincial, Batista fugiu de Cuba no dia 1º de janeiro de 1959. Uma semana depois, após uma marcha triunfal, Fidel Castro entrou em Havana. Aparentemente um milagre ocorrera. Um pequeno grupo de gente decidida havia derrotado um exército apoiado por Washington.
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