A morte de Che Guevara | Argentina, 1928-1953 | Guatemala 1953-4 | México 1954-6 | Cuba: a guerrilha: 1956-9 | Cuba: o poder, 1959-1965 | Congo, 1965 | Bolívia: 1966-7 | Conclusão | Bibliografia
Che Guevara: vida e morte
de um revolucionário
Guatemala 1953-4
“Junta experiência de vida, até para dar e emprestar,
quem a teve que passar entre sofrimento e pranto..”
José Hernández - “El gaucho Martín Fierro”(Canto II, 21)
Estando no Equador, Guevara sentiu-se atraído pelo governo do presidente Jacobo Arbens, um general nacionalista guatemalteco que estava disposto a desafiar a grande empresa norte-americana a United Fruits Co., dona da maioria das terras produtivas da América Central e Caribe e principal produtora e exportadora de frutas de toda a região.
Essa corporação, apelidada de “el pulpo”, associava-se aos ditadores locais, formando aquilo que o poeta Pablo Neruda denunciou como o “o reino tirânico das moscas.” Mas Arbenz era uma exceção e resolveu retirar-lhe uma séria de vantagens, ameaçando-a com uma reforma agrária. Foi o que bastou para ser apontado pelos americanos como um “simpatizante do comunismo” ou que se deixava manipular por eles. Em pouco tempo, a Guatemala foi diplomaticamente isolada e a CIA instrumentalizou um golpe, o primeiro deles, que, depois, seria aplicado, com poucas alterações, nas outras deposições que ela organizou no Continente. Guevara, enquanto isso, tratou de prestar serviços médicos, mas terminou rejeitado por motivos corporativos. Foi na cidade da Guatemala que conheceu Hilda Gadea, que se tornou sua primeira esposa. Freqüentando uma biblioteca de um partido de esquerda ele ampliou seus conhecimentos sobre o marxismo, lendo Marx e Lênin.
No dia 18 de junho, apoiado por aviões da CIA, o Cel. Castillo Armas e mais 400 combatentes, invadiram o país. A solicitação da Guatemala para que a origem da invasão fosse investigada pela ONU foi rejeitada. Os EUA conseguiram uma apertada vitória no Conselho de Segurança, negando-lhe qualquer apoio. Depois de uma frágil resistência, abandonado por todos, o governo Arbenz se desmantelou. No dia 3 de julho encerrava-se a “Operação Sucesso”da CIA. Castillo Armas chegou à capital, desembarcando ao lado do embaixador norte-americano, enquanto Arbenz partiu para o exílio e o esquecimento. Todos os privilégios da United Fruits Co. foram restaurados imediatamente.
Guevara registrou numa carta: “a América será o palco das minhas aventuras e com uma feição muito mais importante do que eu imaginara.” Também percebeu que a invasão da Guatemala pertencia a um cenário mais amplo de confronto mundial entre os Estados Unidos e os comunistas. Pouco tempo depois, decepcionado com o que vira e passara no pequeno país, rumou para o México. A essa altura, além de marxista, converteu-se num ardoroso anti-americano.
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