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Os Estados Unidos e o início da Guerra Fria
(1945-49)

O mundo do pós-guerra

Quem por acaso embarcasse num hipotético vôo sobre o mundo do após-guerra, circundando-o, veria uma paisagem desoladora, quase lunar, lá de cima. Cruzando a Inglaterra, por exemplo, perceberia claramente que seus principais portos, Liverpool e Bristol, e suas grandes cidades industrias, como Londres e Manchester, estavam totalmente arrasadas. Lá embaixo restava um povo exausto, num país completamente endividado, em vésperas de perder o império.

Se o viajante atravessasse o Canal da Mancha e sobrevoasse o território francês, o que veria não seriam muito diferente. Castigada pela bombas dos aliados e pela ocupação de quase quatro anos pelo exército nazista, a pátria do General De Gaulle mergulhara na tristeza. Mesmo ficando afinal ao lado do vencedor, a França, esvaída, amargara ter tido o único governo que colaborara com Hitler: o governo de Vichy, liderado pelo Marechal Petain.

Avançando continente europeu a dentro, no tal vôo imaginário, atravessando o rio Reno, chega-se à Alemanha. Nada está em pé lá embaixo. Na região do Ruhr, que abrigava o grande parque industrial pesado alemão, só vemos destroços, pedras e ferro retorcido. Nenhuma fabrica restou intacta. Além dos 6 milhões de mortos, civis e militares, suas principais cidades viraram ruínas. Berlim, a ex-capital do IIIº Reich, contara mais de 250 mil prédios destruídos, e 60% da sua extensão urbana reduzira-se a escombros. Os sobreviventes, uns 60 milhões de alemães, viviam em meio ao frio, a fome e a desesperança.

Mais a diante, passando sobre a Polônia, o quadro era mais horripilante ainda. Varsóvia e Cracóvia estavam a zero. O país fora palco, em momentos distintos, de dois enfrentamentos: em 1939 foram os exércitos alemães e soviéticos, então aliados, quem, ao invadir o pais, eliminaram os poloneses; em 1944-45, foram os nazistas e soviéticos, inimigos mortais, quem se enfrentaram no seu martirizado solo. Além disso, os nazistas escolheram-na para abrigar a maioria dos seus campos de extermínio. Foi em Auschwitz, Sobibor, Majdaneck, Chelmno e Treblinka, que deu-se o genocídio de grande parte dos judeus, de ciganos e de prisioneiros russos e poloneses, que seguramente devem ter somado bem mais de 6 milhões de vítimas.

Planando sobre as estepes russas a paisagem de horror continuava. Todas as aldeias da Ucrânia e da Rússia branca haviam sido destruídas e incineradas. O gado morto e a lavoura abandonada. As minas de carvão, ao sul, na região do Donetz, estavam inundadas e os poços de petróleo do Cáucaso ainda estavam envoltos em fogo. As estradas de ferro bombardeadas e desmanteladas estavam longe de poderem ser reaproveitadas algum dia.

As cidades de Leningrado (600 mil mortos civis) e Stalingrado (300 mil mortos) foram palcos de grandes batalhas e tinham sido quase que totalmente devastadas. Moscou, porém, sobrevivera a um curto sitio. Pode-se dizer que a parte ocidental da Rússia, que vai do Belarus, ao oeste até os Montes Urais, no leste, até então a mais industrializada e próspera, depois de quase quatro anos de ocupação e ter assistido a invasão e, depois, a retirada dos nazistas, reduzira-se a uma ruinaria só. As perdas humanas foram assombrosas: estima-se entre 17 a 20 milhões de russos mortos (7 milhões deles soldados).

Seguindo-se adiante na viagem, atravessando a Sibéria, chega-se a China. Além de ter padecido da ocupação nipônica desde 1936, quando o exército japonês assaltou-a partindo da Manchuria, o imenso país oriental encontrava-se em guerra civil. De um lado as forças nacionalistas do general Chian Kai-Shek, do outro os guerrilheiros de Mao Tse-tung, o líder comunista que comandara a resistência ao invasor. Depois de terem mantido uma curta trégua, estavam novamente em guerra, que somente seria decidida a favor dos revolucionários de Mao em 1949. A completa desorganização do seus sistema de irrigação, resultado da guerra, jogara os chineses numa miséria assombrosa. As cidades como Cantão, Shangai, Pequim e Nanquim, apinhavam-se de refugiados e de gente faminta vinda dos campos paralisados. Era um caos total.

Finalmente alcança-se o Extremo Oriente. Atinge-se o Japão. Honshü, a ilha maior do arquipélago, que abriga Tóquio, Osaka e Nagoya, havia sido, desde 1943, o alvo preferido da Força Aérea Americana. Em 1945 fora bombardeada diariamente, nada mais restando o que fosse produtivo ou reaproveitado. Para desgraça ainda maior dos japoneses, duas das suas cidades foram escolhidas como alvo-demontração da capacidade nuclear norte-americana: em 6 e 9 de agosto de 1945, Hiroshima e Nagasaki foram varridas por explosões atômicas, num total de 200 mil mortos. O império do Sol Nascente deixara de existir. Naquele momento era um conglomerado de 3 mil ilhas empobrecidas, reduzido às cinzas e à impotência.

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