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Palmer entra em ação


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Palmer não deu trégua a esquerda

Numa só batida, a polícia encontrou 38 bombas. O temor impregnou a sociedade americana, o Red Scare, o Pânico Vermelho, tomara conta dos espíritos. Não demorou muito para que Palmer concentrasse enormes poderes. Se bem que o Congresso rejeitou uma legislação que fixava em 20 anos de prisão para quem atentasse contra instituições americanas, estabelecendo ainda uma multa de 20 mil dólares para quem atacasse prédios públicos, Palmer, em sua ofensiva, infringiu a I, a IV, a VI, VIII, a IX e a XIV emendas. As tão celebradas garantias individuais, orgulho maior dos americanos, logo viraram letra morta. A polícia de Palmer, reforçada pela contratação do jovem Edgar J. Hoover, que mais tarde seria o mandão do FBI, não embaraçava-se por nada. Portas arrombadas, invasões ilegais, tiros para todos os lados, detenções arbitrárias, não houve o que o caçadores de comunistas e anarquistas não infringissem. O procurador-geral não queria perder tempo em distinguir quem era um esquerdista ativo ou não. Prendeu a todos. Legalmente amparado nos porretes jurídicos do Spionage Act de 1917 e no Sedition Act de 1918,

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Carro de presos à época do Pânico Vermelho

num só dos seus Palmer Raids, um arrastão policial feito no dia 7 de novembro de 1919 para "comemorar" o segundo aniversário da revolução russa de 1917, levou dez mil para as cadeias. Foi a maior detenção em massa ocorrida na história dos Estados Unidos feita em tempo de paz. No ano seguinte, em janeiro de 1920, chegaram a mais seis mil os encarcerados. Nenhum deles fora acusado formalmente de nada. Bastava serem suspeitos.

Presos, deportados e exilados

Pessoas comuns foram sentenciadas a vários meses de cadeia por delito de opinião, tal como elogiar Lenin numa conversa de bar. Algo até então inédito no país. Mas a mão do xerife Palmer não abateu apenas a esquerda. Como a maioria dos anarquistas eram imigrantes italianos e os comunistas eram de origem judaica, os bairros latinos e judeus foram devastados pela fúria policial, alimentada pela histeria dos cidadãos anglo-saxãos. "Carcamanos", "traidores de Cristo", era o que se ouvia em todas as partes. Situação que de alguma forma criou o clima para o célebre caso Sacco-Vanzetti, que logo iria eletrizar os Estados Unidos e o mundo (os dois italianos anarquistas foram acusados de assalto seguido da morte de um policial num crime ocorrido em Boston, em 1920).


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Emma Goldman, Ethel Berstein, P.Blaski e A. Berkman

No porto de Nova York, em dezembro de 1919, 249 esquerdistas pró-soviéticos foram embarcados a força no Buford, um barco transporte da marinha de guerra. Palmer cumpria a sua promessa. Que fossem para a Rússia. A bordo da "Arca Soviética", como logo a imprensa o denominou,

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A "Arca Soviética", o barco dos deportados

estava a nata da inteligência anarco-comunista daquela época, gente como a líder feminista Emma Goldman, Alexander Berckman, Mollie Steimer, e tantos outros. Era o presente de Natal, disse Palmer, que os Estados Unidos mandavam para Lenin e seus comparsas. Que fizessem bom proveito deles.

Decepção e frustração

Em 1921, a coisa acalmou. Gradativamente os direitos civis foram recuperados e a ordem constitucional reassumida na sua plenitude. A era louca dos Anos de Jazz começava. O som do trompete e do saxofone, do piano e do banjo, tomaram conta dos salões de dança. Se bem que a Lei Seca começasse a vigorar em 1920, isto não pareceu ter estragado a festa de ninguém. O Grande Gatsby, o herói de Scott Fitzgerald, abria os salões na sua mansão em Long Island, mandando acender uma luz verde no embarcadouro na esperança de atrair para si a bela Daisy Buchanan. O perigo passara, a vida continuava. Mitchel Palmer, homem de ocasião, não foi adiante com sua carreira política. Pior deu-se com Emma Goldman. Ao ver a terrível máquina que os bolcheviques criaram, testemunha do aplastamento da revolta dos marinheiros anarquistas da Fortaleza do Kronstad, deixou a União Soviética em 1921, apontando-a como "a maior desilusão da minha vida".

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