Grande Medo
O Pânico Vermelho de 1919
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Anarquista tentando explodir a Liberdade (charge de 1919)
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Em 1919, chocados com a onda de atentados a bomba que se espalharam pelo país, promovida por anarquistas e outros simpatizantes comunistas, os cidadãos norte-americanos aceitaram que uma série de direitos e liberdades fossem momentaneamente suspensos ou limitados. Permitiram que o procurador-geral Mitchel Palmer agisse com mão de ferro na captura dos esquerdistas, prendendo-os em massa ou banindo-os da América. Tal como passou a ocorrer a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center e ao Pentágono, muitas das prerrogativas individuais dos norte-americanos começaram a ser desconsideradas em vista do clima de insegurança que pairou sobre a nação. Mas como indica a própria história, e como os acontecimentos do passado mostraram, as infrações aos direitos lá são sempre temporárias, rápidas como um chuva de verão.
Uma epidemia de bombas
"Haverá uma matança; nós não vamos nos esquivar; terão que haver assassinatos; nós mataremos porque é necessário; nós vamos destruir para livrar o mundo das suas instituições tirânicas."
Manifesto anarquista, 1919, EUA
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Deportando em massa (charge de 1919)
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Nem bem Ethel Williams, a secretária de um senador sulista, abriu o pacote, o conteúdo explodiu no seu rosto. Perdeu os braços, e a vida por muito pouco também não se lhe foi. Era o dia 1º de maio de 1919, data memorável, escolhida pelos anarquistas para darem o inicio de sua grande ofensiva de primavera-verão contra o Estado norte-americano. Trinta dias depois, no 2 de junho, foi o próprio procurador geral da república A. Mitchell Palmer, homem de confiança do presidente W. Wilson, quem teve parte da sua casa em Washington atingida por um outro petardo. "Pois bem", teria dito Palmer, "se gostam tanto de Lenin e de Trotsky, vou mandar todos eles para lá".
O exemplo da Revolução Russa
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O clima de intolerância: a águia americana limpa o ninho
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Entrementes, os Estados Unidos inteiro tremeram. Greves e motins raciais em Chicago tinham como pano de fundo um festival de explosões em Boston, em Nova York, e mais seis outras grandes cidades americanas. Os acontecimentos pareciam ter fugido do controle. A vitória do bolcheviques na Rússia, seguida da derrota dos exércitos contra-revolucionários, acendera a luz verde para toda a esquerda norte-americana. Alucinados, acreditaram que era possível reproduzir na América as jornadas de Petrogrado e de Moscou, onde os guardas vermelhos levaram tudo de roldão. Se bem que a esquerda pró-soviética em geral apostava nos movimentos de massa, apoiada a formação dos sindicatos e o sufrágio feminino, legislação recentemente aprovada, eram os anarquistas quem lideravam os desatinos.
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