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O auxílio a Saddam


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Guerra Irã-Iraque (1988-88)

A situação que se seguiu foi um clássico exemplo de um grande embrulho. O Irã, defendendo-se com armas americanas, antigo legado do exército do Xá, opunha-se às armas soviéticas de Saddam Hussein, que a partir do ataque de 1980 estava ao serviço dos interesses estratégicos norte-americanos. Mas as armas russas dos iraquianos logo foram suplantadas pelo auxílio ocidental: os franceses venderam-lhe aviões Mirage; os alemães gás para a guerra química; os americanos passaram-lhe helicópteros adaptados para lançar pesticida, além de fornecerem-lhe fotos de satélites que mostravam a movimentação ds tropas iranianas; os ingleses venderam-lhe pontes militares para que ele pudesse cruzar os rios com seus tanques; e os italianos, por fim, abasteceram-no com corvetas, fragatas, e também com helicópteros. Em troca, o ditador iraquiano exigia que lhe reconhecessem o direito de anexar a região fronteiriça do Chat al-Arab, área particularmente rica em petróleo. Tudo acertado, Saddam Hussein deu início ao seu ataque de surpresa ao Irã. O tiro, porém, saiu pela culatra.

O resultado da guerra

Durante os nove anos seguintes, até o começo das negociações de paz, o exército iraquiano meteu-se num atoleiro. O ataque de Saddam fez com que os conflitos internos iranianos cessassem. Todas as facções e tendências que antes se digladiavam em Teerã uniram-se contra o invasor. A guerra que nascera móvel em 1980, terminou se tornando uma clássica guerra de trincheiras nos anos seguintes, levando ambos países à exaustão total dos recursos. Quando por fim esta I guerra de Saddam se encerrou, em 1989, além dos milhares de mortos, ela deixou os dois países arruinados. Estima-se que o rombo das contas iraquianas chegara a alguns bilhões de dólares. Saddam Hussein, afetado no seu prestígio, tendo maculada a sua imagem de campeão do arabismo, tratou de pressionar os países vizinhos para que lhe cobrissem o déficit ou se associassem a ele, para ressarcir-se dos prejuízos, num aumento geral dos preços do petróleo. Não alcançou nem um nem outro intento. Nem as monarquias concordaram em ajudá-lo, nem deixaram-no jogar os preços do barril para o alto. A reação dele foi imediata: em 2 de agosto de 1990 ele invadiu o rico Emirado do Kuwait.


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Mapa do conflito Irã-Iraque (1980-88)

O Kuwait, a II guerra de Saddam


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O Iraque após a derrota de 1991

Encalacrado com o resultado desastroso da guerra contra o Irã. Traído pelos Estados Unidos no conhecido episódio do caso Irã-contras (o presidente Ronald Reagan autorizou em 1985 vendas secretas de armas americanas para o iranianos, inimigos de Saddam, a fim de obter recursos, no valor de U$ 30 milhões, para financiar a guerrilha anti-sandinista na Nicarágua, os chamados "contras"), o ditador iraquiano tratou de pressionar os vizinhos. Que pagassem os custos da guerra contra o Irã, pois ela os salvara dos xiitas. Um soma de dez bilhões foi-lhe prometida pelo Kuwait desde que ele fizesse concessões na fronteira de ambos os países. Irritado, Saddam Hussein ordenou que o Emirado fosse ocupado. A provável intenção dele, ao tornar o Kuwait, a 19ª província da República do Iraque, era usar a ocupação como um instrumento de barganha com os Estados Unidos e com as demais monarquias da Península Arábica. Novamente fracassou. Uma enorme coligação de forças capitaneadas pelos norte-americanas, congregando países ocidentais (Grã-Bretanha, França, Itália) e árabes (Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes, etc.), promoveu o total cerco do Iraque. O tiro de misericórdia sobre as ambições de Saddam Hussein foi dado a partir de 17 de janeiro de 1991, com o desencadear da Operação Tempestade do Deserto.

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