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O Golfo Pérsico
De Saddam ao Talibã

Antes de ser a primeira guerra do século XXI, a atual ação armada do império anglo-saxão no Afeganistão resulta ser um desdobramento da Guerra do Golfo de 1991. Logo, ainda que travada cronologicamente no século atual, trata-se da última guerra do século XX. Como toda e qualquer intervenção militar produz efeitos de curto e longo prazo, hoje assiste-se - com o atentado ao

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World Trade Center e a represália que se seguiu - um efeito tardio da ocupação anglo-saxã naquela sensível região do Oriente Médio. Na superfície daquelas terras áridas, assombradas por tempestades de areia e desolação, trava-se uma implacável luta pela riqueza que jaz embaixo do solo, formada pelas reservas de bilhões de barris de petróleo e de gás natural.

O impacto da revolução Iraniana de 1979


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Aiatolá Khomeini, líder da revolução iraniana

A Revolução Iraniana de 1979, também conhecida com a Revolução Xiita, por ter sido liderada por guias religiosos e espirituais da Pérsia, contra a ditadura do Xá Reza Pahlevi, provocou um enorme surto de instabilidade em toda a região do golfo. Em questão de meses, um regime fiel aos interesses ocidentais, o do xarado de Teerã, fora varrido pela insurgência popular. Dois problemas de imediato surgiram: o primeiro deles dizia respeito aos interesses dos Estados Unidos naquela área, na medida que a revolução iraniana, a única revolução do século XX que não assumiu um contorno ideológico moderno (não era pró-socialista ou marxista), tomou um aspecto claramente antiamericano. E o segundo é de que exatamente por ter uma proposta político-religiosa - a formação de uma república islâmica, voltada para os costumes locais - ela tornou-se potencialmente uma ameaça às monarquias vizinhas, todas elas com interesses associados ao Ocidente. O efeito mais espetacular que se irradiou por todo o Oriente Médio foi que ela inspirou os diversos grupos e movimentos fundamentalistas islâmicos.

Saddam se oferece


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Velhos e novos na guerra contra o Iraque

Com a defecção do Xá do Irã, a única potência militar de médio porte que restou naquela estratégica região foi o Iraque do ditador Saddam Hussein. Num encontro secreto realizado em 1979, em Amã, capital da Jordânia, com autoridades norte-americanas, Saddam Hussein propôs aos Estados Unidos que lhes dessem apoio para a guerra que tinha em mente. Assegurou aos seus patrocinadores que "em três semanas estaria em Teerã", bastando para isso o necessário suporte econômico e acesso a armamentos. Naquele momento, os americanos, na época sob a administração de Jimmy Carter, sentiam-se reduzidos à impotência devido a invasão acompanhada de seqüestro de 52 membros da embaixada dos EUA em Teerã e pelo fracasso que foi a tentativa de uma operação das forças especiais em tentar resgatá-los.

Também era idéia de Saddam, de resto um governante sem nenhum escrúpulo, apresentar-se ao mundo árabe como um seu campeão enfrentando o velho inimigo persa, para assim ter o apoio dos regimes monárquicos ultraconservadores da Península Arábica.

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