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Gás! Alarma! Aí vem o gás!


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Primitiva máscara antigás

Com o advento da poderosa indústria química no século 19, foi inevitável que a Guerra de 1914-18 usasse o gás venenoso como uma arma de combate. Depois de duas experiências de poucos resultados, feitas no fronte ocidental ainda em 1915, o exército alemão, seguido dos franceses e ingleses, fizeram largo uso do gás de cloro e de mostarda a partir de 1916. Assim, os soldados conheceram mais um abominável instrumento de morte. O pavor dos atingidos foi total. Desde então, nada provocou no homem moderno tamanha fobia do que vir a morrer inalando gás venenoso.

O gás no fronte de batalha


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Proteções inúteis

Registra-se o dia 3 de janeiro de 1915 como aquele em que pela primeira vez os alemães lançaram cartuchos de gás venenoso sobre as trincheiras inimigas, operação, diga-se, inutilizada pelas baixas temperaturas. Mas logo que o tempo melhorou, em abril de 1915, a situação foi outra. Nos dias seguintes ao 25, na região de Langemarck, perto de Ypres, uma densa névoa verde-cinza, típica do gás de cloro, expelida de 520 cilindros, começou a soprar em direção às linhas de um regimento franco-argelino que sustentava a posição. Quando eles viram aquele vapor tóxico vindo na direção deles, envolvendo tudo, adentrando por todo os lados, provocando-lhes uma violenta náusea, foi um salve-se quem puder. O pânico fez com que os soldados, deixando as armas e as mochilas, corressem como loucos para as linhas da retaguarda em busca da salvação. Tiveram que improvisar algumas máscaras na hora mas sem grandes resultados. Nas trincheiras e nos campos, jogados ao léu, encolhidos, espumando, ficaram os que não conseguiram escapar. Psicologicamente foi um sucesso. O inimigo desertara em massa. A notícia logo espalhou-se de boca em boca pelos corredores das trincheiras e dos valos onde milhares de homens se encontravam - um diabo em forma de nuvem fétida estava solto nos campos da Europa.

Banalização do uso do gás


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Ataque com gás: uma paisagem aterradora (ataque francês nas linhas alemãs, Bélgica, 1916)

Em setembro daquele mesmo ano de 1915, os ingleses deram a sua resposta ao ataque de gás em Ypres, jogando sobre os alemães entrincheirados perto de Loos uma substantiva quantidade de gás de cloro. Se nos começos desse tipo de recorrência ao gás mortífero era costume utilizar-se grandes cilindros para despejar veneno ao sabor da direção em que o vento soprava, em seguida avançou-se para o uso de um cartucho próprio, o The Projetor, capaz de lançar cápsulas de gás venenoso a enorme distância.

Foi a partir do ano de 1916, especialmente durante a longa batalha de Verdun, travada entre alemães e franceses, que o gás entrou em cena de vez. E desta feita foi a estréia de novo gás muito mais tenebroso em seus efeitos do que o cloro - o chamado gás de mostarda (dichlorethylsulphide). De cor amarelada forte, ele mostrou-se capaz de devastar as linhas adversárias mesmo em meio às tropas equipadas com máscaras antigases. Em contato direto com qualquer parte da pele da vítima, de imediato, ele levantava bolhas amareladas, atacando em seguida os olhos e as vias respiratórias. Além disso, tinha a capacidade de permanecer fazendo efeito durante um tempo bem superior do que os outros, como o gás lacrimogêneo (lachrymator), não-mortal, e o de cloro, seja ele fosfogênico ou difosgênico.

Deste então, a paisagem da guerra das trincheiras foi toldada pela presença sistemática dos vapores do gás de mostarda que, utilizado por ambos os lados, passou a ser o manto sombrio e enfumaçado que cobria os soldados em seus últimos momentos de vida. Tamanha foi sua presença nas batalhas que no ano final da guerra, em 1918, ¼ dos obuses lançados pela artilharia eram de gás venenoso.

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