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A mobilização anticomunista

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Truman e Churchill no Missouri, 1946
O elemento deflagrador da mobilização anticomunista deu-se com o célebre discurso de Winston Churchill, feito em Fulton, no Missouri, em 5 de março em 1946, quando o ex-primeiro ministro britânico no seu pronunciamento intitulado Sinews of Peace (Sustentáculo da paz), denunciou o Comunismo Soviético por estender uma "Cortina de Ferro"(Iron Curtein), sobre a sua área ocupada na Europa, conclamando os poderes anglo-saxãos, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, a enfrentarem-na.

Com essa inversão, essa completa mudança de postura, de aliado da URSS para seu principal adversário, os Estados Unidos obrigaram-se a elaboraram uma doutrina condizente com os novos tempos: a National Security Doctrine (Doutrina da Segurança Nacional). Segundo ela um tipo singular de enfrentamento mortal desenhava-se no horizonte; simultaneamente estratégico e ideológico. Os Estados Unidos tinham agora seus interesses estratégicos e suas bases militares espalhadas por todos os continentes. Eram uma potência global, cuja preocupação abarcava o mundo inteiro. O único rival a vista era o movimento comunista que tinha sede em Moscou, e que também manifestava ambições expansionistas. O marxismo, para os estrategistas do Pentágono, nada mais era do que o pretexto, uma máscara ideológica, para o domínio dos russos.

Os frontes da Guerra Fria

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CIA, instituição da Guerra fria
Haviam dois frontes nesta vasta política de contenção: um estratégico-militar, coberto por tratados específicos, e outro ideológico, que mobilizaria a opinião pública e o serviço de contra-espionagem - a CIA [ Central Inteligente Agency] foi criada em 1947 para dar combate ao "perigo vermelho" no exterior. A decisão do caminho a ser seguido em relação à URSS foi traçado por George Kennan, um alto funcionário americano, que defendeu a "contenção" contra o comunismo. Os soviéticos somente seriam detidos por meio de uma enérgica política de enfrentamento, de jogo duro. Esta política, que levou a uma profunda intoxicação ideológica dos cidadãos americanos, contribuiu para que os Estados Unidos obtivessem o apoio interno necessário a que reativassem, mesmo em tempo de paz, a sua industria bélica para atender as necessidades da Guerra Fria.

A doutrina Truman e o Plano Marshall

A conseqüência lógica da "contenção ao comunismo" foi o lançamento da Doutrina Truman, o primeiro pilar da Guerra Fria. Anunciada em março de 1947, a pretexto de socorrer a Turquia e a Grécia (envolvida numa guerra civil entre comunistas e monarquistas) , o presidente dos Estados Unidos garantia que sua forças militares estariam sempre prontas a intervir em escala mundial desde que fosse preciso defender um país aliado da agressão externa (da URSS) ou da subversão interna, insuflada pelo movimento comunista internacional, a serviço dos soviéticos. Na prática os Estados Unidos se tornariam dali em diante na polícia do mundo, realizando intervenções em escala planetária na defesa da sua estratégia (*).

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Escudo do Plano Marshall
O segundo pilar, aguçando ainda mais a separação das superpotências, deu-se com o anúncio do Plano Marshall que foi um projeto de recuperação econômica dos países envolvidos na guerra. Vindo à público também no ano de 1947, em 5 de julho, em Harvard, este plano deve seu nome ao General George Marshall, secretário-de-estado do governo Truman. Por ele, os americanos colocariam à disposição dos governos que o solicitassem uma quantia fabulosa de dólares (no total ultrapassou a U$ 13 bilhões de dólares) para que as populações européias pudessem "voltar às condições políticas e sociais nas quais possam sobreviver as instituições livres" , e a um padrão superior que os livrasse da "tentação vermelha", isto é, de votar nos partidos comunistas que , devido a vitória soviética, gozavam então de enorme prestígio. Aceitando os dólares generosamente ofertados eles manteríam-se fiéis aos Estados Unidos.

Enquanto os europeus ocidentais (ingleses, franceses, belgas, holandeses, italianos e alemães) aderiram ao plano com entusiasmo, Stalin não só rejeitou-o como proibiu aos países da sua órbita (Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Romênia e Bulgária) a que o aceitassem. A doutrina e o plano fizeram ainda mais por separar o mundo em duas esferas de influência.

(*) Obedecendo à doutrina Truman os E.U.A . intervieram na Guerra da Coréia (1950-3) e na Guerra do Vietnã (1962-75), como também derrubaram os regimes de Mossadegh no Irã em 1953, e o do general Jacobo Arbenz na Guatemala em 1954. Em 1961 apoiaram a invasão de Cuba para derrubar Fidel Castro e, com a criação da Escola das Américas, no Panamá, adestraram os militares latino-americanos na contra-insurgência, estimulando-os a que tomassem o poder nos seus respectivos países.



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