EUA e o Delírio Intervencionista
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W. Wilson, presidente intervencionista
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Por dessas ironias do destino foi o presidente Woodrow Wilson, um emérito professor humanista de Princeton, eleito em 1913, quem terminou por realizar o maior número de intervenções armadas dos Estados Unidos contra os seus vizinhos. Além do peso das circunstâncias - a aproximação da guerra mundial - ele foi-se imbuindo de que tinha uma missão a realizar: levar a democracia para ao restante da América, ainda que na ponta do fuzil dos fuzileiros navais.
A Guerra Mundial e o evangelho da democracia
Sucedendo a Taft em 1913, a quem antes denunciara como intervencionista, o presidente Woodrow Wilson, paradoxalmente, tornou-se o mais acabado exemplo do governante ianque prepotente nas suas relações com a América Latina. Durante a campanha eleitoral de 1912, ele havia prometido retirar os fuzileiros da Nicarágua, pois dizia não admitir tal tipo de procedimento. No entanto, nunca os latino-americanos e suas pequenas repúblicas da América Central e do Caribe padeceram como durante os oito anos da administração Wilson1. Dois fatores favorecem o delírio das intervenções: em primeiro lugar, a eclosão da I Guerra Mundial fez com que as repúblicas caribenhas assumissem uma importância geopolítica significativa para os assuntos de segurança dos Estados Unidos. Reafirmar o poder americano na região, por meio de ocupações militares, era uma maneira de evitar um possível ataque das potências xentrais ao "baixo ventre" americano, isto é, a região do Golfo do México e vizinhanças. Em segundo, não se pode ignorar a verdadeira fé missionária que tomou conta dele na medida em que pretendia regenerar os latinos decadentes injetando-lhes doses maciças de princípios democráticos. Foi como se ele se sentisse impregnado de uma força providencial que o impulsionava a levar as instituições americanas aos povos que desconheciam tais virtudes.
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Rua de São Domingo, desolação e pobreza
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No México, de novo
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Venustiano Carranza e seu estado-maior, opôs-se a intervenção americana
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A primeira oportunidade de exercer esta missão de evangelista da democracia surgiu durante o desenrolar da Revolução Mexicana. O presidente Francisco Madero, que recém-subira ao poder, foi derrubado em 1913 por um sangrento golpe militar liderado pelo general Huerta. Wilson viu em Huerta um indivíduo simpático aos interesses ingleses, e depois alemães
2, e passou a temer que o general-ditador se revelasse um preposto dos imperialismos forâneos, permitindo a formação de uma base de operações qualquer que prejudicasse os interesses americanos no país. Massa de dinheiro que montavam em 1914 a 853 milhões de dólares, o equivalente a 24% dos investimentos externos dos Estados Unidos. Assim, quando Venustiano Carranza, governador do Estado nortista de Coahuila, pronunciou-se pela desobediência para com o governo de Huerta, em fevereiro de 1913, Wilson colocou-se a sua disposição. Diga-se, a bem da verdade, que Carranza sempre manifestaria repúdio e desconforto diante das propostas e intromissões do presidente norte-americano naquele segundo turno da guerra civil mexicana que se seguiu. Sem preocupar-se com a opinião de Carranza e sob o pretexto de que não poderia tolerar a remessa de armas para Huerta, que a Alemanha tentava desembarcar em Vera Cruz, Wilson ordenou a ocupação do porto por tropas norte-americanas. Não era a primeira vez que os americanos faziam isso pois lá estiveram na guerra de 1846-1848 contra o México, quando os odiados "gringos" voltavam a pisar o solo nacional.
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