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A Conspiração dos Iguais

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   Estátua da Igualdade,    Babeuf morreu por ela
A Revolução Francesa de 1789 foi pródiga em gerar idéias e projetos de reforma social os mais diversos e radicais. Um deles, por sua projeção futura, merece entretanto ser destacado: o movimento de Graco Babeuf, um dos precursores do comunismo moderno, líder da "Conspiração dos Iguais", que o levou a ser guilhotinado em 1797.

"La propriété est odieuse dans son principe et meurtriére dans ses effets."
(a propriedade é odiosa em seus princípios e mortífera nos seus efeitos)
Graco Babeuf (1760-1797)

Babeuf

Quando foi solto, logo em seguida à execução de Robespierre em 1794, François-Noël Babeuf era um desconhecido jornalista provinciano que fora preso em Paris para ser julgado. Levantou as mãos aos céus por ter escapado da grande matança comandada por "Robespierre, o Exterminador", como ele chamara o líder jacobino morto. Na sua terra, em Saint-Quentin, onde nascera em 1760, Babeuf, durante alguns anos, exercera a estranha profissão de feudista, um profissional remunerado pela nobreza local para achar antigas leis e direitos de taxas que lhes permitiam extorquir os pobres camponeses da região. Foi pois pela prática que ele terminou por indignar-se com as artimanhas utilizadas pelos senhores para arrancar até os últimos tostões dos homens do campo. Com a aproximação no horizonte das nuvens da revolução, Babeuf converte-se ao jornalismo, denunciando na província a
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   Graco Babeuf    (1760-1797)
continuidade daqueles condenáveis procedimentos dos donos das terras. Foi por aquela época que ele sentiu-se fortemente influenciado por uma brochura publicada em 1786 por um tal de Collignon, intitulada Prospectus d'une mémoire patriotique sur les causes de la grand misère qui existe partout et sur les moyens de l'extirper radicalement, que, somada às leituras que ele fizera de Rousseau, Mably e Diderot, fizeram com que ele se convertesse em um comunista.

A Utopia do Prospectus

Collignon, como observou Babeuf em carta a um amigo, não propunha uma vida espartana, retirada para a vida natural, em meio aos bosques, bebendo água da fonte e alimentando-se de frutas silvestres, como poderia deduzir-se ser o ideal de Rousseau. Ao contrário. Collignon quer dar conforto e distribuir abundância: o seu projeto era o do país da Cocagne. Imaginou uma sociedade onde todos têm direito a quatro refeições por dia, boas roupas e acesso "a uma casa de mil luíses". Embebido nestas páginas utópicas, Babeuf foi adiante. Para ele, o comunismo deixou de ser uma fantasia literária, das tantas que existiam no século XVIII, para vir a ser algo a construir-se. Não demorou para que também ele esboçasse uma primeira cidade coletivista, onde imperava "a comunidade dos bens e dos trabalhos" como pano de fundo para atingir a "igualdade perfeita" e a "felicidade comum", o que o levou a uma crítica cada vez mais radical à existência da propriedade privada, fazendo dele uma ameaça potencial à ordem social burguesa.

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