Introdução | Antecedentes históricos da China | A agressão ocidental | O movimento republicano | O impacto da Revolução Russa e a I Guerra Mundial | Nacionalistas e Comunistas: da colaboração à ruptura (1923-27) | A revolução camponesa | De Kiangsi a Yenan (1928-1937) | A Guerra Sino-Japonesa (1937-1945) | Da grande aliança à guerra civil (1945-49) | O pensamento político de Mao Tse Tung | Bibliografia
China - 1ª Parte (1842-1949)
A Revolução chinesa: da agressão
Ocidental ao Maoísmo
Antecedentes históricos da China
"...de que país a China é colônia? É colônia de cada país com quem firmou um tratado, e todos os países que têm um tratado com a China são seus donos. Assim, a China não é somente escrava de uma nação e sim escrava e colônia de todas as nações." - Sun Yat-sen
 Escultura em bronze de tamanho natural, 1200 a.C. |
O despotismo oriental: até meados do século XIX a China era o modelo clássico do "despotismo oriental". A monarquia manchu sediada na Cidade Proibida em Pequim, exercia um domínio autoritário sobre um território de 10 milhões de km2 administrado pelos mandarins a serviço do governo central. A massa da população, uns 400 milhões em 1850, concentrava-se nos campos, labutando de sol a sol em torno das aldeias, maioria delas nas proximidades dos vales dos rios Yang-tse e Amarelo, praticando uma agricultura rudimentar, cuja produção básica era o arroz. As enchentes e as estiagens eram célebres na China porque reduziam de um momento para o outro milhões de camponeses em hordas de famintos que invadiam as cidades, desesperados, em busca de sobrevivênvia. O número de mendigos então ascendia a escalas inimagináveis para um país europeu.
Nas principais cidades do país, Pequim, Nanquim, Shangai, Cantão e Hong-Kong, encontramos artesãos e comerciantes organizados em corporações de ofício similares às que existiam na Europa medieval, que conviviam com as conhecidas e célebres sociedades secretas que congregavam o lumpesinato urbano. No plano ético-religioso o país se abeberava no confucionismo, que ideologicamente sedimentava o imobilismo das relações econômicas e sociais. Apesar do imobilismo econômico, os chineses eram herdeiros de uma sofisticada cultura que se estendia por mais de cinco milênios e que havia produzido uma intensa literatura político-religiosa, bem com sofisticados artigos manufaturados extremamente apreciados nos mercados europeus (seda, porcelana, papel, etc.). Vivendo à margem do mundo, os chineses por séculos a fio consideravam-se o centro do unvierso - eram o Império do Meio - revelando um profundo desprezo pelo estrangeiro e por sua tecnologia.
As corporações (hang hui, colocadas sob proteção celestial de inspiração taoísta, dividiam-se classicamente entre mestres (yeh-chu), operários (Ku-Kung), e a aprendizagem (hauet-t'u); as guildas (pang-kou) agrupavam os trabalhadores das grandes cidades segundo sua origem provincial e buscavam proteção junto a funcionários influentes da mesma origem; as sociedades secretas (mi-mi, chieh-hui) agrupavam elementos atrasados ou duvidosos, lideradas por criminosos profissionais, sendo que alguns trabalhadores nelas ingressavam coagidos ou em busca de proteção.
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