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China - 1ª Parte (1842-1949)
A Revolução chinesa: da agressão
Ocidental ao Maoísmo

Introdução


O sol vermelho ilumina a velha China (1959)

A peculiaridade da Revolução chinesa: a Revolução Chinesa não resultou de uma abrupta e intempestiva insurreição de massas - como ocorreu na tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789 na França Absolutista, nem num surpreendente golpe de estado como o dado pelos bolcheviques, quando a guarda vermelha e os marinheiros assaltaram em 25 de outubro de 1917 o Palácio de Inverno em São Petersburgo na Rússia Czarista -, mas sim foi o resultado final da mais longa guerra civil do nosso século: a Guerra Civil entre nacionalistas e comunistas.

Iniciado o conflito em algumas cidades do sul da China em 1927, culminou numa guerra generalizada no qual milhões de homens participaram, durando no seu total vinte e dois anos.

Os períodos da guerra civil na China: esta guerra civil pode ser classificada em três grandes períodos: o primeiro deles vai de 1927 a 1930, quando a estratégia do PC chinês orientava-se para o assalto e a ocupação de grandes cidades, como Shangai, Cantão(Gengzhou) e Changsha, onde seus seguidores foram derrotados e expulsos, tendo seus quadros urbanos praticamente exterminados pelo exército nacionalista. O segundo período da guerra civil deu-se entre os anos de 1930 a 1937, quando a liderança do PC chinês concentrou-se em Mao Tse-tung, ocorrendo com isso uma radical inflexão na estratégia do PC chinês que tratou de formar e consolidar os chamados "sovietes rurais" tendo por apoio os camponesa do interior da China. Com isso abandonou do seu horizonte próximo a possibilidade de liderar uma revolução urbana que lhe proporcionasse uma rápida ascensão ao poder na China. Mao Tse-tung, apelando para uma das celebradas virtudes chinesas - a paciência - estabeleceu como estratégia do partido uma luta de longa duração, por meio do aperfeiçoamento da guerra de guerrilhas como seu principal instrumento de luta. Após terem sido obrigados a abandonar seu primeiro soviete nas montanhas de Ching-Kangshan, das quais os comunistas retiraram-se pressionados pela chamada "5ª campanha de extermínio" ordenada pelo General Chiang Kai-shek, que os chamava de "bandidos vermelhos", ocorreu o grande épico da história revolucionária da China Moderna, a Longa Marcha (1934/35). Percorrendo um caminho de mais de quase 10 mil quilômetros pelo interior da China, entre 1934-5, os comunistas sobreviventes conseguiram abrigar-se no soviete de Yenan na província de Shensi.Por ser uma região árida e inóspita, ela os protegeu tanto dos ataques dos nacionalistas como da invasão japonesa que começou em julho de 1937.

Finalmente, o terceiro período ocorreu ao término da Segunda Guerra Mundial, quando os guerrilheiros maoístas, depois de uma curta guerra civil, desbarataram definitivamente as divisões do General Chiang Kai-shek, expulsando-o do país e fundando a República Popular da China em 1º outubro de 1949.

O caráter nacional e camponês da Revolução Chinesa: a revolução chinesa de 1949 distinguiu-se da Francesa de 1789 e da Russa de 1917 também na medida em que as questões nacionais assumiram uma dimensão muito maior que o espírito cosmopolita imanente ao jacobinismo e ao bolchevismo (onde o nacionalismo encontrava-se subordinado a uma estratégia ideológica ecumênica). Os comunistas chineses, ou maoístas, sinicizaram o marxismo, adaptando-o às circunstâncias de uma nação de camponeses humilhada pelas potências coloniais.

Outra relevante questão foi a de que a vanguarda revolucionária chinesa possuía estreitas raízes com o campo e interpretavam as aspirações mais profundas não das populações citadinas mas sim daquele imenso continente de camponeses que formava e ainda forma a China dos nosso dias. Quantitativamente tratou-se da maior revolução social de todos os tempos, qualitativamente porém seu âmbito foi bem mais restrito do que as duas outras citadas, circunscrita às fronteiras da China (se bem que com reflexos sobre a Coréia e o Vietnã). Se os jacobinos e bolcheviques pretendiam ter descoberto a álgebra da revolução válida para sua época, o maoísmo foi mais modesto, acreditando-se como uma solução revolucionária a ser seguida preferencialmente pelos países colonizados ou semicolonizados do Terceiro Mundo.

Maoístas e bolcheviques: particularmente em relação à Revolução Russa, podemos apontar algumas vantagens substanciais que favoreceram a implantação do regime socialista na China. Em primeiro lugar, a base social dos maoístas foi muito mais ampla do que a dos bolcheviques. Atrás das forças do Exército de Libertação Nacional comandado por Mao Tse-tung encontravam-se milhões de camponeses, de operário, de estudantes e de intelectuais que viam no maoísmo o grande elemento integrador de uma China internamente esfacelada e constantemente saqueada pelas forças estrangeiras.

Os bolcheviques, como é sabido, apoiavam-se na escassa classe proletária urbana russa que não perfazia mais de 3% da população global do país e praticamente não tinham nenhuma ligação expressiva com os kristiani, os camponeses pobres, nem com os kulaks, os camponeses remediados. Contaram igualmente com pouco apoio da intelligentsia russa, mais simpática aos mencheviques, aos sociais-revolucionários ou aos liberais, porque os bolcheviques pareceram aos intelectuais russos tirânicos e autoritários. Os maoístas ainda tiveram a seu favor o fato de não terem que padecer de uma guerra civil acompanhada de intervenções estrangeiras após a tomada do poder, como aconteceu com os bolcheviques nos anos de 1918 a 1920 na Rússia, quando além de terem enfrentado os exércitos contra-revolcuionários dos brancos (ex-czaristas). Viram partes da Rússia ser ocupada por tropas inglesas, americanas, francesas e japonesas, entre 1919-21.

O estado-maior revolucionário chinês bem antes de chegar ao poder em 1949 já formava um grupo de calejados militantes que estavam acostumado a trabalhar juntos pelo menos desde a década de 1930. Eles possuíam experiência administrativa, política e militar obtida na gerência dos sovietes de Kiangsi e Shensi, bem ao contrário dos bolcheviques que praticamente emergiram do exílio, das prisões e da clandestinidade, para o exercício direto do poder.

Finalmente, dois outros aspectos fundamentais tornaram menos árdua a estrada dos maoístas na implantação da revolução: em primeiro lugar contou a seu favor a existência da União Soviética com potencial nuclear - o que desestimulou tentativas mais vigorosas e agressivas por parte das forças contra-revolucionárias internas e externas de tentarem impedir ou protelar as reformas econômicas e sociais. A conseqüência disso para os maoístas foi a existência de um mundo menos hostil para sua política do que aquele que os bolcheviques tiveram que amargar nos anos 20 e 30 quando padeceram de um quase total isolamento.

Os maoístas sabiam pois de antemão o que deviam evitar a partir da simples observação do que ocorrera com a experiência soviética.Desta maneira a China não conheceu nenhuma coletivização forçada da terra, decretada de cima para baixo, podendo avançar com mais cautela na implantação do seu sistema industrial como na aplicação de uma economia planificada de um modo geral. Quer dizer, a existência de uma experiência socialista na vizinha União Soviética poupou os chineses dos enormes sofrimentos e traumas por que os russos tiveram que passar, pelo menos até os trágicos acontecimentos da Revolução Cultural de 1965-76.

A maior barreira que os maoístas enfrentaram para trnasformar a China e fazê-la avançar era o imenso atraso do um país cujo desenvolvimento tecnológico, científico e educacional (no sentido moderno) era praticamente inexistente .

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