Introdução | A vitória da Unidade Popular | A via chilena para o socialismo | As forças da oposição | O Pinochetaço | Conclusões | Bibliografia
Chile: a derrubada da democracia
(de Allende a Pinochet)
A via chilena para o socialismo
"Eu quero terra, fogo, pão, açúcar, farinha, mar, livros, pátria para todos, por isso ando errante..." Pablo Neruda - Canto geral, XIII,XV
O primeiro ano de governo da UP foi o da aplicação do Plano Vuskovic que estimulou uma alta salarial que chegou a 55%, adotada para expandir a industria nacional que operava com enorme capacidade ociosa. Conjugaram-na com um aumento dos gastos públicos que atingiu a 66% a mais do que o governo anterior. A idéia era de que a ampliação do mercado consumidor - formado por trabalhadores bem remunerados - induziria os empresários a investirem na produção. Ao mesmo tempo os socialistas esperavam que o bom padrão de vida que ofertavam aumentaria as bases políticas do que chamavam de a via chilena para o socialismo. Com a adesão da classe média pensavam em atingir a estabilidade necessária a sua sobrevivência. Esta linha de ação contava com o apoio dos socialistas-allendistas e dos comunistas de Luís Corvalán, os mais moderados integrantes da frente, mas não com o do influente senador Carlos Altamirano que, apesar de militar entre os socialistas, defendia a via leninista, ou insurgente, para tomar o poder.
Passados doze meses do Plano Vuskovic verificou-se que os investimentos na economia não se realizaram. Um dos motivos deveu-se a que os extremistas estimularam os trabalhadores chilenos a apropriarem-se das fábricas, recorrendo a um sofisma legislativo chamado de resquícios legais, afim de criar o poder popular. No campo a situação não diferiu. Uma onda de invasões de terras levou à paralisação da agricultura e a uma alta geral dos gêneros alimentícios, estimulando o crescimento do mercado negro.
Simultaneamente, Allende nacionalizou a mineração e outros setores considerados fundamentais para chegar-se ao socialismo, o que abriu contra ele um outro fronte de luta com as multinacionais.
Entre 1972-73 a economia chilena literalmente parou. A tensão social aumentou enormemente e os conflitos entre os operários e os outros setores sociais se ampliaram. A escassez geral, as filas, o mercado negro, fizeram com que as classes médias abandonassem qualquer simpatia que anteriormente tivessem pelo regime ou pelo ordenamento democrático. O resultado político disto foi a passagem da Democracia Cristã para a oposição extremada, golpista. As classes médias ao voltarem suas costas para Allende, estimularam sua derrubada.
Síntese do Programa Geral da UP
1- Política de redistribuirão de renda (no Chile 2% da pop. detinham 46% da renda)
2- Nacionalização da grande industria, especialmente da mineração de cobre
3 -Ampliação e expansão da reforma agrária
4- Aproximação diplomática e econômica com os países socialistas e comunistas
| 