Introdução | A vitória da Unidade Popular | A via chilena para o socialismo | As forças da oposição | O Pinochetaço | Conclusões | Bibliografia
Chile: a derrubada da democracia
(de Allende a Pinochet)
A vitória da Unidade Popular
Passeava o povo suas bandeiras rubras e entre eles na pedra que tocaram estive na jornada fragorosa e nas altas canções da luta... isolados eram como troços partidos duma estrela.....Juntos na unidade feita em silêncio eram o fogo, o canto indestrutível.. - Pablo Neruda - Canto Geral,XI,XIV, 1950
O cenário político chileno quase nunca sintonizou-se com o dos seus vizinhos. Nem com os argentinos nem com os peruanos ou bolivianos. O Chile até 1973 sempre teve um perfil partidário europeu, desconhecendo a existência de partidos populistas, como também ferozes ditaduras militares. Entre os chilenos imperou quase sempre uma situação marcadamente ideológica, onde cada classe social ajustava-se a um partido: os ricaços e os grandes fazendeiros agrupavam-se no conservador Partido Nacional, a classe média na Democracia Cristã, e os operários e os intelectuais dividiam-se entre os socialista e os comunista.
Em 4 de setembro de 1970, depois de varias tentativas anteriores fracassadas, as esquerdas conseguiram unir-se, lançando um candidato em comum à presidência da república: Salvador Allende, um senador militante do Partido Socialista chileno. Para alcançar o objetivo 6 partidos integraram-se na Unidade Popular (os mais importantes eram o partido socialista, o comunista, o radical e o MAPU, uma dissidência da democracia cristã). Como um aliado inconveniente da UP, mantido à distância, existiam os extremistas do MIR (Movimiento de la Izquierda Revolucionária), uma agrupação guevarista que advogava a luta armada. Allende não recebeu a maioria consagradora (36,2%), sendo confirmado pelo Congresso chileno pelo voto da Democracia Cristã.
| 