BUSCA + enter






Um cenário de um conto oriental


reprodução
Nas principais cidades daquela vastíssima região, cortada pela antiquíssima rota da seda, em Baku, em Tbilisi, em Grozni, em Teerã, em Cabul, em Jalalabad, Dushanbe, Bukhara, Rawalpindi, Gahzni ou Peshawar, em meio a caravanas de camelos e de jumentos, carregando tapetes, peças de fina seda, gaze ou musselina, bordados e rendas enrolados com potes de caviar e latas com tâmaras, barcos de contrabandistas de armas singrando o Cáspio, pululavam espiões por todos os lados. Além deles, havia agentes provocadores, sicários, mercenários, traficantes de escravos, encantadores de serpentes, dançarinas do ventre, diplomatas, militares, negociantes, agiotas, monges budistas, gurus, faquires, agentes de companhias e das recém-chegadas empresas de petróleo, sempre prontos a arrancar concessões de xeques, de emires e de marajás, tentando-os com dinheiro, ouro ou armas. Todos participantes menores do Grande Jogo, todos eles peões das maquinações imperais. Limitado ao norte pelo Cáucaso, ao sul pelos Montes Elborz e pelo Hindu Kush, e ao Leste pelo Himalaia, a Eurásia foi sempre estimulante em fertilizar a imaginação dos escritores. Rudyard Kipling a escolheu como pano de fundo para a maioria dos seus poemas e novelas, entre elas a que narra a história do jovem Kim, um agente secreto inglês metido em aventuras sensacionais nos elevados da Ásia. Sendo dele também a expressão o Grande Jogo, a que ele recorreu para definir o choque das potências rivais na região.


reprodução

R.Kipling e seus personagens

A partilha do Mar Cáspio


reprodução

A dança das jóias de uma turcomênia

Com o lento declínio da presença do império britânico na Ásia, a União Soviética e o Reino do Irã, defendendo a tese de ser o Mar Cáspio um lago interno, dividiram-no em duas partes. As ricas bacias de petróleo lá existentes, explorado nas suas margens mais intensamente a partir do boom de 1870, foram, depois de 1920, divididas mais ou menos a contento entre os comunistas e os súditos do Xá. As empresas ocidentais, banidas da URSS, estabeleceram contratos do outro lado, na parte persa, até que, num curto espaço de tempo, novos e sensacionais acontecimento abalaram a região: a Revolução Xiita no Irã, em 1979, e a dissolução da URSS em 1991.

O fim da estabilidade


reprodução de TV (CNN)

Impondo uma nova lei

Os acordos que foram assinados entre a URSS e o Irã, datados dos anos de 1920 e 1930, só poderiam ter continuidade com a garantia da existência dos regimes que os mantinham - o comunista soviético e o xarado iraniano. Com a desordem resultante do desaparecimento deles, um novo cenário político emergiu. A unidade mantida na região do Cáucaso pela URSS esfumou-se. Enquanto os povos da montanha, cada um formava o seu próprio país (Geórgia, Armênia, Azerbaijão), os que davam para as margens do Cáspio fizeram o mesmo (Azerbaijão, Tadjiquistão e Kasaquistão). Além disso, as ex-repúblicas autônomas da URSS de fé muçulmana, a Chechênia e o Daguestão entraram em polvorosa, armando-se contra a Federação Rússia, movendo um intensa guerrilha, entremeadas por ataques terroristas ao solo russo contra a presença dos interesses de Moscou no Cáucaso. A Eurásia, em fim, entrou na era dos tumultos.


reprodução

A era dos tumultos chega ao Cáucaso

| |



 ÍNDICE DE MUNDO





 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2002,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central de Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade