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A bolsa de valores: o cidadão acionista
Ao transformar qualquer cidadão numa espécie de sócio, as empresas passaram a gozar da simpatia e do empenho deles, ampliando a sua base social de apoio. A imagem dos controladores delas também mudou. Os "barões ladrões" do século XIX, que não davam satisfações dos seus atos a ninguém, sendo muitos deles apontados como verdadeiros "inimigos públicos", foram substituídos devido à revolução gerencial por uma elite de executivos e empresários treinados em justificar-se perante as comissões de controle dos acionistas. Muitas campanhas políticas ou da imprensa voltadas contra o poder das grandes empresas simplesmente cessaram porque os pequenos acionistas, que formam a larga maioria dos eleitores, protestaram temendo vir a perder dividendos. Além disso, a venda de ações ao grande público ajudou a distribuir a renda nos Estados Unidos, dando maior solidez ao regime democrático, estendendo as prática igualitárias da política e da justiça, aos ganhos econômicos. O sucesso desse empreendimento, dessa socialização do capital por assim dizer, foi tamanho que fez com que os Estados Unidos fossem o único país industrializado do mundo a não ter um forte e significativo partido socialista que servisse como alternativa à continuidade do poder dos partidos pró-capitalistas, que já se estende por dois séculos.
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Edward Chancellor - Salve-se quem puder (Cia das Letras, SP., 2001)
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Charles R. Geisst - Wall Street, a history (Oxford University Press, NY-Oxford, 1997)
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