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A bolsa de valores: o investidor e o especulador

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Bolsa de valores
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Como qualquer outra atividade econômica e social, a bolsa de valores forjou os seus tipos humanos. Figuras, personagens que lhe são próprias, reconhecidas como tal. Entre elas, duas se destacam: a do investidor e a do especulador. Porém, todos concordam, foi sempre difícil traçar uma linha divisória entre ambas as atividades, visto que a todo o momento um invade a seara do outro.

De uma maneira simplificada pode-se dizer que o investidor tem um espírito empreendedor, ele quer ter uma rentabilidade estável para o seu dinheiro empregado, reagindo com desconfiança às aventuras financeiras. Assemelha-se a um capitão de navio que se compraz em levar as mercadorias de um porto ao outro, sabendo antecipadamente quais serão os seu proventos. Já o especulador (do latim speculare, vigiar, ficar atento) assemelha-se a um pirata, a um flibusteiro, sempre pronto a alterar a rota para poder ir saquear e pilhar uma cidade qualquer à beira-mar que ele percebe estar desprotegida.

O investidor prioriza preservar o seu capital, o seu patrimônio; o especulador quer aumentá-lo ao máximo possível num só lance de audácia e suspicácia. Conspirando muitas vezes para que isso aconteça. William Holbrook Beard, um pintor norte-americano do século XIX, captou na sua tela intitulada The bulls and beards in the market (Touros e ursos no mercado, 1879) a existência selvagem desse conflito, do fato da bolsa de valores ser uma praça de guerra entre as potências animais titânicas que compõem o moderno mundo das finanças.

O seguro e o incerto

Jay Gould escapando dos arruinados no pânico de 1869
Também seus temperamentos diferem: o investidor inclina-se pela segurança do negócio, põe suas fichas no que parece-lhe ser o mais certo, o de retorno mais garantido, sem atrever-se aos sustos do inesperado, exatamente ao contrário do especulador, que, como a abelha zumbidora ao redor do fruto doce, zanzeia em torno do incerto, atraído pelo arriscado, pelo temerário. Tanto um como outro são as duas faces da mesma atividade.

Ocorre, entretanto, que nenhum especulador consegue afastar de si a imagem de ser um predador, alguém nocivo ao restante da sociedade, uma espécie de tubarão ou lobo ermitão perigoso, fama que no passado alcançou Jason Jay Gould, um especulador de Wall Street - o homem mais odiado dos Estados Unidos do século XIX (não é casual que o seu primeiro nome Jason, seja o mesmo de um hediondo personagem, assassino em série de filmes de terror).

Lugar que hoje é ocupado, ainda que de forma bem mais branda, pelo megaespeculador George Soros. Eles são pessoas capazes de levar à ruína milhares de investidores miúdos, ou de aviltar a moeda de um país inteiro, sem nenhum remorso, sem nem piscar os olhos. Além disso, avolumam-se sobre eles as evidências sobre o seu potencial corruptor, carregando malas de dinheiro para seduzir politicos, legisladores, juristas e policiais, suscetíveis de serem amaciados.

Max Weber explica a bolsa

Max Weber procurou afastar o medo à bolsa
Foi para abrandar os temores e as suspeitas mais arraigadas que os alemães, seus conterrâneos, demonstraram frente ao comércio das ações e títulos - negócio em ascensão no II Reich (1871-1918), época em que a Alemanha Imperial rapidamente se industrializava - que fez com que Max Weber, o fundador da sociologia moderna, se decidisse a publicar uma síntese a respeito: Die Börsen, (A bolsa, 1896). O pequeno livro procurou mostrar a lógica e o funcionamento do mercado de ações e títulos para afastar os temores do povo e os receios dos setores mais esclarecidos.

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