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A bolsa de valores: nervo do capitalismo

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Bolsa de valores
» O nervo do capitalismo
» A riqueza abstrata
» O investidor e o especulador
» Ela não é uma filantropia
» O cidadão acionista
 
O surgimento da bolsa de valores como um prática regular de negócios resulta não somente da existência de um clima econômico favorável, fruto da expansão das atividades comerciais que se multiplicam a partir do fim da Idade Média, como também diz respeito a dois instintos humanos que manifestam-se em qualquer latitude, seja em que hemisfério da Terra for: a propensão humana à troca, ao escambo de uma mercadoria ou produto por outro, e a forte tentação de adivinhar o que irá ocorrer no futuro. Portanto, a permuta e a premonição são as raízes psicológicas mais profundas da atividade que sedimenta um mercado de ações.

Uma dança tribal

Corretores da bolsa de NY, 1899

"o dinheiro é o nervo da vida numa República e aqueles que amam o dinheiro constituem os alicerces mesmo da própria República."
Poggio Bracciolini - "Da avareza e do luxo", 1428


Suba-se na galeria de uma bolsa de valores em qualquer grande cidade do mundo e comprima-se os ouvidos. Olhando para baixo o espetáculo visto lá do alto do balcão lembra o de um pátio de um asilo de alienados na hora do recreio. Bocas em espasmos, olhos esbugalhados, mãos convulsivas em gestos extravagantes, caretas de espanto e de desespero que, num repente, viram puro entusiasmo.

Num zás, o cenário muda. Todos os presentes, ombro a ombro, como uma onda humana, circulam frenéticos e aloprados, ao redor de si mesmos, como num daqueles primitivos rituais de iniciação dos aborígenes da Nova Guiné. Na tribo, um grupo de homens dançando cultuam o totem do ancestral sagrado. Na bolsa de valores, investido-se ou especulando-se, cultiva-se o dinheiro.

Os meninos da Wall Street

Paris, investidores esperando a abertura do pregão na rua Quincampoix
A maior predominância de gente jovem nesse negócio, os operadores - a infantaria ligeira da especulação - deve-se a motivos singulares. Quando os brockers, os corretores em Nova Iork, reuniam-se ao redor de uma árvore, em frente ao nº 68 na Wall Street, costumavam levar seus filhos. Socorriam-se das crianças e dos adolescentes como mensageiros ou para atrair um investidor puxando-lhe pela manga do casaco.

Os garotos eram mais ágeis em ir e vir em meio aquela multidão de adultos, passando-lhes, por vezes, pelo meio das pernas, em louca estabanada. Por isso, até hoje, as bolsas ainda mantém um clima de farra e de demência estudantil, fazendo com que muitos deles se afastem, escandalizados, por não entenderem sua aparente irracionalidade.

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