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Bagdá, centro de saber

Em pouco tempo a cidade tornou-se centro de uma interminável peregrinação de estudantes que vinham de todas as partes do Islã para sentar-se próximos aos faylasuf, os filósofos, para beber-lhes a ciência. O saber deles era enciclopédico: homens como Al-Kindi (796-899) e Al-Farabi (870-950) podem ser considerados como os fundadores de um conhecimento verdadeiramente universal, enquanto Ibn Kaldun consagrou-se na história e Al-Khwarizmi (introduziu o conceito de álgebra na matemática). Apesar dos sábios de Bagdá forjarem toda a terminologia técnica da Kalam, a teologia islâmica, sofreram acirrada oposição de fundamentalistas como Ibn Hanbal, um reacionário que rejeitava todas as descobertas da ciência exata e da especulação filosófica por considerá-las heréticas e próximas do ateísmo. Mas os trabalhos da Casa da Sabedoria continuaram e serviram de base para que, em 1066, o vizir persa Nizam al-Mulk fundasse a primeira universidade árabe, que recebeu o nome de Nizamya.


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Al-Farabi, Avicena, Ibn Kaldun e Al-Khwarizmi

A projeção de Córdoba

Desejoso de tornar seu califado de Córdoba, na Espanha, cada vez mais autônomo, o governante omíada Abdur-Raman II determinou que se adquirisse em Bagdá tudo que fosse referente à ciência grega e árabe. Pouco tempo depois, em 1085, quando da reconquista de Toledo pelos cristãos, ali também foi instituída uma oficina de tradutores que passaram a verter os textos árabes para o latim, redescobrindo os sábios gregos para a Europa. Outra porta para a cultura greco-árabe abriu-se pela iniciativa o Imperador do Sacro Império, Frederico II, que fundou a Universidade de Nápoles em 1224, estimulando todo o tipo de tradução para o latim. O mais belo fruto da academia napolitana foi São Tomás de Aquino, que lá estudou até 1243 e que não só lutou para que Aristóteles fosse aceito nos círculos universitários e teológicos europeus, como realizou a mais poderosa construção intelectual do Ocidente medieval: a Summa Theologica, de nítida inspiração árabe.


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Beduínos da região central do Iraque

Incompreensão

Dessa forma, a sabedoria e ciência árabes - que dinamizaram a cultura ocidental nos tempos obscuros da escolástica cristã, quando a Europa vivia num vale de sombras -, foram as responsáveis indiretas pelas descobertas de Copérnico, de Kepler e de Galileu, os pioneiros da moderna ciência. Porém o ódio teológico que tem separado cristãos e muçulmanos durante esses últimos séculos terminou por impedir que o Ocidente reconheça os méritos da civilização maometana. As países islâmicos não só foram colonizados pela potências coloniais européias como seus anseios de independência e autonomia, que se tornaram cada vez mais crescentes depois de 1918, foram interpretados como equívocos conduzidos por radicais e fanáticos.


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"Agonia", tela de Faik Hassan que expressa a desolação do Iraque

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