O Armagedon americano
A Batalha de Gettysburg, travada no estado norte-americano da Pensilvânia, entre os exércitos da União e os estados confederados do Sul, foi o Armagedon dos americanos. Durante três dias, do dia primeiro ao dia três de julho de 1863, 170 mil homens empenharam-se em levar o seu lado à vitória, fazendo com que quase um terço deles morresse ou ficasse ferido. Foi uma batalha decisiva. A democracia venceu.
 Marchando para deter o general Lee |
Rumo ao Norte
No verão de 1863, a Guerra de Secessão norte-americana entrava no seu terceiro ano. Até aquele momento as forças sulistas, formadas pelos estados confederados, tinham conseguido bons resultados nos campos de batalha. Apesar da escassez do recursos, e do eficaz bloqueio que a marinha nortista fazia aos seus portos, os rebeldes contavam com o ardor dos seus combatentes e uma liderança militar bem mais qualificada do que os que lutavam pela União. Ainda naquele mesmo ano de 1863, em maio, o general Robert Lee, o supremo comandante dos exércitos do Sul,
 General Meade, vencedor de Gettysburg |
conseguira uma expressiva vitória na Batalha de Chancelorsville, na Virgínia. Nela, com um só terço das tropas nortistas que o general Hooker dispunha, conseguiu batê-lo (60 mil confederados contra 134 mil da União). Apesar do general "Stonewall" Jackson, um herói do Sul, ter falecido em conseqüência dos ferimentos recebidos, o resultado do combate foi tão entusiasmante que o generalíssimo convenceu Jefferson Davis, o presidente dos rebeldes, a arriscar-se numa marcha batida em direção ao Norte para por fim à guerra. Além disso, o Sul ameaçava exaurir-se. A inflação disparara e as perspectivas gerais impediam que os confederados mantivessem uma longa guerra de atrito.
Invadir a Pensilvânia, derrotar o Exército do Potomac numa manobra audaciosa, e seguir em direção a Washington D.C., não pareceu ao general Lee uma estratégia absurda. Mal sabia ele que ia a toque de clarim para o Armagedon dos americanos.
O cenário no Norte
 General Lee em 1863 |
O presidente Abraão Lincoln para provocar a desorganização da economia sulista, fizera aprovar a 13ª Emenda, que abolia com a escravidão nos Estados Unidos da América. Com isso também captava as simpatias internacionais (exceção feita à nobreza inglesa e de alguns ricaços que eram a favor dos confederados). Mas o ato libertário não trouxe de momento nenhum benefício no campo militar. Ao contrário, os desastres se sucediam. Lincoln passou a trocar os comandantes supremos um atrás do outro: o general McClellan foi substituído pelo general Pope, esse pelo general Burnside, que por sua volta foi trocado pelo general Hooker, o derrotado por Lee em Chancelorsville. Por fim, quando o comandante sulista rumou para o Norte, o novo escolhido por Lincoln era o general George Meade. Essa desordem toda fez com que o derrotismo tomasse conta das fileiras da União, ampliando-se o movimento pela paz a qualquer preço com os confederados. Mas, como o general Lee logo veria, os recursos do Norte ainda eram imensos e pouco adiantou ele ter difundido a mística de que o seu exército, o do norte da Virgínia, era invencível.
A estratégia de Lee
Dividindo seus 75 mil homens em três grandes corpos de exército, comandadas respectivamente pelos generais Longstreet, Ewell e A.P.Hill, partiram de Fredericksburg (local de outra grande batalha) e dirigiram-se pelo Vale do Shenandoah, para invadir a Pensilvânia. Mais à frente, ao leste, deslocava-se a divisão de cavalaria de J.E.B. Stuart, "os olhos de Lee", para assolar as guarnições nortistas mais distantes. O estado que os confederados invadiam ia lhes matar a fome. Fundada por quakers, a Pensilvânia concentrava inúmeras fazendas prósperas, com seus estábulos cheios de gado bem cuidado e os paióis com boas reservas de cereais. Rompidas as possíveis defesas dos nortistas, a estrada estava aberta para que os confederados cercassem Lincoln na capital.
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