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A migração em massa


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Praga, a revolução de veludo, novembro de 1989

Ao penetrarem no recinto, mal sabiam eles, estavam inviabilizando o muro e destruindo um dos pilares do regime comunista de Herich Honecker. Finalmente, depois de muita pressão e negociação, eles receberam, em setembro, autorização das autoridades comunistas húngaras para poderem sair. Pouco tempo depois, a mesma cena repetiu-se em Praga, onde as lideranças tchecas deixaram que alemães orientais, que estavam na embaixada alemã ocidental, saíssem num trem fechado em direção à Alemanha Ocidental. Aberta a represa, o muro não tinha mais função. Dali em diante quem desejasse abandonar a Alemanha comunista bastava cumprir um roteiro triangular: sair de Berlim oriental, ou de qualquer outra cidade do Leste da Alemanha, alcançar Budapeste, e dali tomar um trem em direção à Áustria ou à Alemanha Ocidental.

Leipzig ferve


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Manifestação de massas em Leipzig, outubro de 1989

Quando o comboio de vagões levando cinco mil alemães orientais para o Ocidente recebeu autorização para sair de Praga, centenas de alemães orientais foram para as estações de ferro abanar para os fugitivos. Em Dresden, deu-se uma batalha campal nas cercanias da parada dos trens entre a polícia e o povo, mas em Leipzig a manifestação assumiu um outro contorno. Estimulados pela música de Bach, naquele momento parecendo um sutil e profundo apelo à liberdade religiosa e de pensamento, milhares de pessoas foram para as ruas, tomando as principais avenidas e logradouros públicos. Naquela segunda-feira, o dia 9 de outubro de 1989, deu-se o princípio da contagem regressiva que em apenas trinta dias depois pôs o muro de Berlim no chão. Setenta mil pessoas gritavam Wir wollen raus!, Nós queremos sair!, reclamando por seu direito de viajar, enquanto uma outra parte da multidão respondia Wir bleiben hier! Nós ficaremos aqui, no sentido que desejavam permanecer na Alemanha Oriental lutando para reformar o regime comunista de cima a baixo. Em seguida, todos juntos entoavam o refrão Wir sind das Volk! Nós somos o povo!

Gorbachev nega-se a reprimir


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Não usar as tropas

Apavorados com o vulto do protesto, as lideranças comunistas da Alemanha Oriental, a RDA (República Democrática da Alemanha), sondaram o dirigente soviético Mikhail Gorbachev da possibilidade de utilizar-se tropas e tanques soviéticos e alemães orientais para sufocar um possível levante popular anticomunista. Gorbachev dissuadiu-os. Não havia mais clima na Europa, depois que ele mesmo dera início às reformas da Glasnost e da Perestroika, de voltar-se atrás. Era impossível repetir-se uma ação blindada como ocorrera em Berlim em 1953 e em Praga em 1968. Que os camaradas alemães encontrassem uma outra solução que não fosse apelar para a repressão. Que tentassem recuperar a confiança dos cidadãos, que fizessem as reformas com o povo alemão do Leste e não contra ele. Mas àquela altura bem pouco poderia ser feito.

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