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Barack Obama, o mouro de Chicago
Numa extraordinária prova e demonstração de vitalidade democrática, o povo dos Estados Unidos escolheu no dia 4 de novembro de 2008 pela primeira vez na história, 145 anos depois da escravatura ter sido abolida pela 13ª emenda de 1863, um presidente da república filho de um pai negro. Em meio ao regozijo mundial pelo sucesso avassalador da campanha dele, paira todavia o temor de que as forças cruéis do racismo possam a vir atentar contra a vida dele depois de empossado.
Substituindo os aristocratas virginianos
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O presidente eleito, Barack Obama
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Quem por primeiro quebrou a continuidade do domínio de uma presidência aristocrática nos Estados Unidos, foi Andrew Jackson, um general sulista que vencera os britânicos e seus aliados indígenas na Guerra do Falcão (1812-1815). O “Velha Nogueira” como era chamado, herói do oeste, eleito como o 7º presidente (1828-1837) pelo partido Democrata, afastou de Washington a parentela dos ‘corruptos aristocratas do Leste’ (até então os presidentes vinham do estado da Virginia) e tornou-se um campeão do populismo. Na festa da sua posse convidou o povo para acompanhá-lo à Casa Branca, decisão que se arrependeu amargamente. Seus correligionários, a maioria vindo do bárbaro Tennessee, uma horda exultante mas embriagada, quase destruiu o edifício presidencial. Era a Democracia Jacksoniana em ação. Coube a Abraão Lincoln, por sua vez, eleito como 16º presidente em 1860, interromper a ascensão dos presidentes pró-escravidão. Posição irremovível deles que se arrastava desde a fundação da república em 1787. O resultado como se sabe foi trágico, pois os líderes do sul escravista em repúdio aberto ao recém eleito uniram-se numa confederação e , em 12 abril de 1861, no ataque ao Forte Sumter, abriram fogo contra os nortistas. A nação norte-americana foi levada a uma guerra fratricida, a maior de todos os tempos no Novo Mundo, provocando a morte de mais de 620 mil soldados e civis, além de 412 mil feridos, deixando desde então, uma dolorosa cicatriz aberta nas relações entre os americanos do sul e do norte.
Salvando o país da Depressão
Nas eleições de 1932, tocou a vez de Franklin Delano Roosevelt, no bojo da Grande Depressão provocada pela quebra da bolsa de Nova York de 1929, por um fim, como 32º presidente dos Estados Unidos, na hegemonia do o partido republicano, cujos presidentes (Harding, Coolidge e Hoover) primavam pelo horror a ter que intervir na economia ou ter que por a mão na renda gorda dos magnatas. Com enorme coragem, lançando a política do New Deal, do Novo Trato, enfrentou uma tradição arraigada do povo norte-americano que sempre fora hostil a que o estado e os burocratas ‘se intrometessem nos negócios’. Mas com o país falido, o sistema financeiro em frangalhos e com 15 milhões de desempregados perambulando pelas ruas, não havia outro jeito.
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Membros da klan
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Eis que agora é a vez de Barack Obama, o jovem senador vindo de Chicago, eleito como 44º presidente dos Estados Unidos, romper totalmente com a tradição, a mais longa de todas, a dos presidentes brancos. Mulato, elegante, ágil, formado numa universidade de elite como Harvard, lembra um tanto o famoso mouro de Veneza da tragédia de Shakespeare, Otelo, o almirante negro que a serviço do doge da cidade das gôndolas seduzira a bela e branca Desdêmona, da mesma forma que Barack Obama conseguiu o feito de conquistar o afeto e o apoio da maior parte da América WASP (Branca, anglo-saxã e protestante). Nesta eleição, dando a ele 65 milhões de votos, o povo norte-americano entrou em sintonia absoluta com o restante da humanidade que já há muito se decidira pelo senador de Chicago.O perigo que rondará Barack Obama ao longo do seu mandato presidencial, o seu Iago, é o racismo, ou melhor a inconformidade dos extremistas e fundamentalistas brancos que compõe a Ku klux klan e outras agrupações direitistas ligadas ao White Power em aceitarem haver um mestiço comandando os Estados Unidos desde o Salão Oval. Como ele irá se safar ao longo de quatro anos (ou oito se for reeleito em 2012) dos propósitos homicidas daquela gente é a grande incógnita que somente no futuro se saberá.
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