Educação História por Voltaire Schilling Mundo
Boletim
Receba as novidades no seu e-mail!
Fale conosco
. Envie releases
. Mande críticas, dúvidas e sugestões
EducaRede
Entre no portal da escola pública
História - Mundo
MUNDO

A China e a destruição do Palácio de Verão (Parte I)

Leia mais
A China e a destruição do Palácio de Verão (Parte II)
 
Como que dando um derradeiro aperto de alicate no debilitado império chinês, lorde Elgin o comissário britânico para os assuntos do Oriente, no final da Segunda Guerra do Ópio (1856-1860), determinou que no dia 18 de outubro de 1860 o exército franco-britânico destruísse totalmente o Palácio de Verão do imperador. Deste modo, foi-se para sempre uma das maravilhas do mundo, forçando os chineses a engolir mais uma amarga porção da taça de humilhação que o colonialismo lhes preparou.

O Palácio de Verão

O Palácio de Verão do Imperador
Antes de tudo, o que os chineses chamavam de Jardins da Perfeita Claridade ou simplesmente de Jardins Imperiais, eram enormes, estupendos. Cinco vezes mais extensos do que a Cidade Proibida, morada oficial do imperador em Pequim, e oito vezes o tamanho do Vaticano, sede do Papado em Roma. Os seus prédios haviam sido projetados por arquitetos europeus, o jesuíta italiano Giuseppe Castiglione e pelo francês Michel Benoist, pessoalmente selecionados pelo imperador Qianlon (1736-1796).

Os dois maiores templos eram denominados de Virtude Budista e Mar da Sabedoria, havendo ainda uma torre erguida ao Incenso Budista.

Os jardins tinham nomes etéreos: o do Brilho Perfeito, da Eterna Primavera e do Espírito Elegante, estendidos por quase 300 acres. Tanto o antigo palácio de verão (Yiuan Ming Yuan), como o novo (Yihe Yuan), produto do restauro ordenado pela imperatriz Cixi Dowager (1861-1908), distanciava-se oito quilômetros dos muros da capital e doze do seu centro.

Não pouparam recursos para deixar os interiores dos edifícios confortáveis e extremamente luxuosos. Victor Hugo , que soube da existência deles por relatos que lhe fizeram, disse que eram “um sonho construído em mármore, jade, bronze e porcelana.” De certo modo, vinha a ser o Palácio de Versalhes da dinastia Qing, construído ao longo dos séculos XVIII e XIX.

Como uma das pequenas jóias daquela arquitetura que visava o fabuloso e o magnificente, destacava-se o belvedere construído a beira do lago Kunming dedicado ao Deus da Literatura, local de repouso e de leitura. O escritor francês comparou aquilo tudo com as pirâmides do Egito, o Coliseu de Roma, e mesmo com a catedral de Notre-Dame de Paris. Um orgulho da humanidade, uma maravilha sem fim. Todavia seus dias estavam contados.

(*) A primeira carga de ópio a chegar na China, chamada pelo próprio diretor da Honourable East India Company , a Companhia Britânica das Índias Orientais, como “mercadoria perniciosa” , deu-se em 1781. Devido ao déficit gerado pela importação de chá e de porcelana, produtos que caíram no gosto da sociedade inglesa, os britânicos decidiram se compensar vendendo-lhes ópio em troca (produto extraído das plantações de papoula existentes no Bengal, ao norte da Índia, controlada pela Companhia das Índias desde a bata1ha de Plassey de 1757).

A Segunda Guerra do Ópio

O belvedere do Deus da Literatura (antes da sua destruição pelos ingleses)
O Império da China já havia capitulado anteriormente frente aos britânicos durante a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842), assinando então o primeiro dos acordos que muito o infelicitaram: o Tratado de Nanquim de 1842, que praticamente o forçou a ser importador permanente de ópio, além de ter que ceder uma das suas ilhas, Hong Kong, situada na embocadura do rio das Pérolas, no sul do país, aos traficantes ingleses. Além disso, teve que aceitar a presença deles nos portos de Cantão, Amoy, Foochowfoo, Ningpo e Xangai. Arrematado com a exigência do imperador comprometeu-se a pagar uma indenização de guerra no valor de U$ 21 milhões de dólares. Inclusive os traficantes ingleses que tiveram suas mercadorias apreendidas e destruídas por Liu Zexu, um diligente mandarim, foram generosamente “indenizados”.



Todavia, o governo chinês continuava negando-se a aceitar embaixadores na sua capital ou a conceder outros portos situados mais ao norte para que os ingleses ampliassem seus negócios.


Bastava pois um pretexto qualquer para que as forças colonialistas se lançassem numa nova guerra, visto que tinham certeza da imensa fraqueza da marinha e do exército chinês frente à superioridade bélica e o poder dos barcos a vapor dos ocidentais. E tal oportunidade surgiu resultante do desentendimento provocado por um barco de contrabandistas chineses, o Arrow, que navegava sob a proteção da bandeira britânica. Incidente que ocorreu no dia 8 de outubro de 1856. O cônsul britânico de Cantão (hoje Guanzhou) alegou num relatório enviado ao parlamento em Londres que a flâmula de Sua Majestade fora injuriada pela polícia chinesa que se negou a apresentar desculpas.


Foi o que bastou para uma nova declaração de guerra fosse anunciada contra Pequim. Todavia, os britânicos não queriam marchar sozinhos. Para tanto, ofereceram a oportunidade para que Napoleão III se juntasse a eles. A recente morte de um sacerdote francês, padre Augustin Chapdelaine, numa cadeia chinesa, ocorrida em fevereiro daquele mesmo ano, serviu-lhe de pretexto para irmanar-se à gente da rainha Victória em mais uma campanha expedicionária contra a China.


Sob o comando do lorde Elgin e do barão de Gros, a começar por Cantão, quase toda a China meridional caiu nas mãos dos colonialistas em menos de um ano. Em 1858 foi a vez dos fortes do Norte serem submetidos um a um ao poder invasor. Muitos deles defendidos por generais acovardados e incompetentes que abandonaram as muralhas à primeira rajada de tiros dos canhões dos colonialistas. A estrada para a capital imperial estava então aberta.

Mais um tratado infame

Ataque dos zuavos franceses contra os chineses
Mas antes de ocupar a capital imperial as potencias vitoriosas impuserem um novo tratado aos chineses: o múltiplo Tratado de Paz, Amizade e Comércio de Tiansin, assinado em 26 de junho de 1858, determinando em seus pontos principais que : a) a Grã-Bretanha, a França, a Rússia e os Estados Unidos tivessem o direito de estabelecer legações diplomáticas em Pequim; b) mais dez portos fossem abertos ao comércio estrangeiro; c) os barcos estrangeiros pudessem navegar pelo rio Yangtze; d) os missionários cristãos pudessem adentrar no interior da China; e) o governo chinês deveria indenizar seus agressores em dois milhões de taels (medida chinesa) de prata a cada um deles; f) por igual, deveria indenizar no mesmo valor, isto é, dois milhões de taels, os comerciantes ingleses por danos sofridos durante a guerra. A guerra ainda não cessara.


O Imperador Xian Feng resistiu a colocar sua assinatura em tal sucessão de afrontas, o que levou a que uma nova expedição militar anglo-francesa, comandada pelos generais James Hope Grant e Cousin-Montauban, navegasse em direção ao golfo de Bohai com 17.700 soldados, transportados em 173 barcos. O destino da desditosa China viu-se decidido na batalha de Palikao, travada nas proximidades da capital imperial, no dia 21 de setembro de 1860.

     próxima página
Veja todos os artigos | Voltar
 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2007,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central do Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade