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A marcha da morte do general Sherman (parte II)
Uma das maiores máculas da Guerra de Secessão norte-americana (1861-65) foi a campanha de devastação realizada pelo general William Tecumseh Sherman contra os estados rebelados do Sul. Arrasando preferencialmente os campos, as fazendas, as fábricas, as ferrovias, as cidades dos confederados, encurtou a guerra mas encheu os americanos de pavor: "A mais monstruosamente bárbara das marchas dos bárbaros".
Como George Meade mostrou-se inepto em perseguir Robert Lee depois de Gettysburg, os olhos de Lincoln voltaram-se para Ulysses Grant, que apresentara notável ousadia estratégica na submissão do estado do Mississipi. O presidente então o chamou para o comando supremo dos exércitos da União. Com isso o braço-direito de Grant no oeste, o major-general William T. Sherman, assumiu o Exercito do Tennesse, e, em seguida, o Supremo Comando do Oeste com 98 mil homens e 250 canhões.Terminado o longo inverno de 1863-64, em 4 de maio de 1864 ele ordenou que os clarins de ataque voltassem a soar. Tinha inicio a famosa campanha de Atlanta, operação militar que partindo de Chatanooga, no Tennesse, evitando grandes batalhas, tinha por meta atacar o celeiro do Sul e faze-lo sangrar como nunca. Então, como disseram, "o Diabo resolveu descer na Geórgia". Quatro meses depois, em 1º de setembro, a capital do estado foi conquistada e transformada num acampamento em armas. O primeiro passo para uma ampla manobra vinda do Oeste de cercar o exército confederado de Robert Lee, cuja maior parte estava concentrado no estado da Virginia, atacando-o a partir da retaguarda, fora dado. Sherman, todavia, queria fazer de Atlanta um exemplo dos extremos a que ele recorreria para submeter a Confederação. Decidiu queimar a cidade depois que os civis fossem dela removidos. Em 14 de novembro de 1864, um enorme clarão de fogo se espalhou então pelo horizonte anunciando que a América do Norte tinha também o seu Átila.
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Sherman deixando Atlanta incendiada para trás na sua marcha para o mar (14 de novembro de 1864)
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Ainda que horrorizado com o destino imposto à capital da Geórgia, Jefferson Davis, o presidente dos Estados Confederados. tentou levantar o ânimo da população. Comparou a situação do Sul com a da Rússia invadida por Napoleão em 1812. A triste retirada do exército imperial francês estava pois para se repetir. Sherman, como Napoleão, seria batido. A cavalaria confederada unida ao povo inteiro, enfatizou ele, atuaria como os cossacos fizeram contra as retaguardas francesas naquela ocasião, fustigando os invasores até que eles se retirassem totalmente derrotados.
O general ianque, garantiu Davis, teria o mesmo destino do Corso, escapando apenas com sua guarda pessoal. Iria ser empurrando para bem longe, para as barrancas do rio Ohio. Isso traria ao partido nortista pró-paz um impulso que nenhum editorial conseguiria. Consta que quando o general Grant leu esse discurso comentou: "E quem fornecerá a neve para essa retirada de Moscou?" (James M. McPherson – Battle cry of Freedom, pag. 808). Não só neve faltava ao Sul, mas também não havia entre eles um general ardiloso como Kutuzov, nem a milícia dos caipiras da Geórgia ou das Carolinas era composta por cossacos.
As razões da marcha do mar
Do mesmo modo que a cidade de Chatanooga, no Mississipi, servira como trampolim para Sherman marchar para Atlanta, esta agora iria se prestar como a base do impulso para um novo salto. Desta feita em direção ao mar, tendo como objetivo a tomada de Savannah, porto atlântico e antiga sede colonial do estado.Escrevendo a Grant ele expôs que a manobra cortaria a Confederação em duas partes e poria em risco a retaguarda do general Robert Lee, exposta ao reide da cavalaria ianque. "Mostraríamos ao mundo", seguiu ele, "que podemos marchar com um exército bem equipado diretamente para dentro do território de Jefferson Davis, numa demonstração para o mundo, externo e doméstico,que nós temos um poder que ele não tem como resistir"... "eu posso fazer a marcha e fazer a Geórgia gemer!" Os ganhos maiores seriam os psicológicos. Nada perturba mais um soldado na frente de guerra do que vir a saber que o seu lar, sua mulher, seus filhos e seus bens estão expostos à sanha do inimigo lá longe na sua terra distante. Isso o faz inseguro e se sentindo culpado por não estar na soleira da cabana, protegendo a prole, espantando os danados com seu rifle. O efeito é terrível. Acelera a deserção justificada e desmoraliza o comando geral por ser impotente em por um fim naquilo. A intenção dele expressa em correspondência dizia: "O simples fato de que o lar deles ter sido visitado pelo inimigo", registrou ele, "fará com que os soldados de Lee ou de Johnston fiquem muito ansiosos para voltar para casa." Uns tempos depois, em fevereiro de 1865, o general Lee constatava a contragosto a "epidemia de deserções” que se abateu sobre as fileiras dos confederados, atacados pela “depressão e o desamparo", resultante da marcha de Sherman. "Centenas fugiam a cada noite" para alcançarem suas casas a fim de defenderem o que restava delas.
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