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Abolição: a Revolução da Compaixão (parte III)
Um conjunto de fatores econômicos, sócio-culturais, e ético-religiosos, conduziu a que um reduzido grupo de ativistas ingleses, súditos de um dos reinos europeus que até então mais lucrara com o tráfico transatlântico de escravos, desse início durante a segunda metade do século XVIII a uma intensa campanha por um fim naquele negócio infame. Coube à Grã-Bretanha, pátria das máquinas, das liberdades individuais e do capitalismo nascente, erguer por primeiro a bandeira do abolicionismo. Entre eles, liderando uma Revolução da Compaixão, projetou-se o incansável teólogo John Wesley (1703-1791), o fundador do Metodismo, que se empenhou por muitos anos contra o que chamou de "execrável vilania" que tanto lucro dava aos portos de Londres, Liverpool, Bristol e tantos outros mais das ilhas britânicas.
1748 - Montesquieu ironiza os partidários da escravidão (Espírito das Leis, Livro XV, cap.6)1755 - A seita dos Quakers funda o primeiro grupo anti-escravista na Pensilvânia (colônia inglesa da América do Norte) 1774 - O reverendo metodista John Wesley faz seu sermão "Pensamentos sobre a Escravidão", mobilizando apoio popular para a causa.
1780 - Os Quakers aprovam na assembléia da Pensilvânia a Lei da Abolição Gradual da Escravidão. 1781 - O filósofo Condorcet publica suas "Reflexões sobre a Escravidão", libelo iluminista contra o trabalho escravo. 1787 - Benjamin Franklin e Benjamin Rush unem-se na fundação da "Sociedade pela Promoção da Abolição da Escravidão." 1788 - É fundada em Paris por Jacques Pierre Brissot a "Société des amis dês Noirs", que conta com Condorcet, La Fayette, Mirabeua, o conde de Rochefoucauld, e outros nomes ilustres, voltada para abolir gradativamente com o tráfico negreiro. 1791 - John Wesley, em sua última carta, exorta o parlamentar William Wilberforce a continuar nos seus esforços para fazer o Parlamento britânico aprovar a Lei da Abolição do Tráfico, que recém havia sido rejeitada. 1793 - Léger-Félicité Sonthonax, comissionado pela Assembléia Nacional Francesa, e governador da ilha de São Domingo ( colônia francesa), decreta a abolição de todos os escravos, no dia 21 de junho de 1793. 1794 - Por decreto da Convenção da Republica Francesa, aprovado no dia 4 de fevereiro, abole-se oficialmente com a escravidão na França e nas suas possessões coloniais. 1802 - Napoleão, cônsul-geral, revoga a legislação abolicionista, reintroduzindo a escravidão nas colônias em agosto. Rebelião geral no Haiti. 1807 - Parlamento britânico, por insistência de Wilberforce, aprova a Lei da Abolição do Tráfico de Escravos no dia 25 de março. A Lei de Abolição definitiva só seria aprovada em 1833. No ano seguinte, o Congresso norte-americano, com apoio do presidente Thomas Jefferson, aprova legislação similar.
Binghan, Derick – William Wilberforce: the freedom fighter. Londres: Christian Focus Public, 1997.Coffman, Elesha – (org) Os irmãos Wesley: Charles e John. Christian History, edição nº 69 ( vol.XX, nº1). Furneaux, Robin, William Wilberforce. Londres: Hamish Hamilton, 1974. Halévy, Elie – History of the English People in the nineteenth century. Londres. ERNEST BENN LIMITED, 1949. vol I. Heitzenrater, Richard P. – Wesley e o povo chamado metodista. São Bernardo do Campo. Editora da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista. Hobsbawn, E.J. – El metodismo y la amenaza revolucionaria en Gran Bretaña, in Trabajadores; Estudios de historia de la clase obrera. Barcelona. Editorial Critica, 1979. Smith, Adam – Teoria dos Valores Morais. São Paulo: Martins Fontes, 1999. Wesley, John - Thoughts Upon Slavery, 1774.
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