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A batalha de Bunker Hill

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Uma pequena colina com pouco mais de trezentos metros de altitude seria o palco da primeira batalha convencional entre ingleses e americanos. Prescott, coronel americano nomeado comandande da milícia de Massachusetts pela Assembléia Provincial, foi encarregado de estreitar o cerco sobre Boston. Para tanto, lhe foi ordenado transportar os canhões para Bunker Hill, na península de Charlestown. Dali ameaçaria seriamente a guarnição inglesa. Por engano, instalou-se mais para o interior - em Breed Hill, mas ainda assim a sua posição tática era boa. Notando a manobra e o perigo que ela representava para as suas forças, Gage ordenou - na manhã de 17 de junho de 1775 - que dois generais, Howe e Pigot, desalojassem o inimigo daquele local ameaçador. Três mil britânicos foram desembarcados na cabeceira da península para enfrentar os mil e quinhentos homens de Prescott que estavam entrincheirados no alto do morro. Dividindo-se em três colunas, iniciaram a marcha. A da esquerda ateou fogo ao vilarejo de Charlestown e, sob o espectro de seiscentas casas em chamas, a do centro e a da direita atacaram Breed Hill e suas fortificações laterais.
Aos experimentados soldados ingleses a operação que parecia fácil tornou-se uma desagradável surpresa. Abrigados nos valos ou protegidos por tapumes, os colonos lançaram mortífero fogo sobre as colunas de "casacos vermelhos" que subiam as encostas. Estávamos na época Fredericiana, centrada na rígida formação das linhas. A coesão e disciplina das tropas sob fogo inimigo era a condição fundamental para obter-se a vitória. Não se deixando abater, apesar da dizimação que a metralha adversária poderia fazer, mostrava-se a ele a determinação em morrer, fazendo-o descrer no sucesso da batalha.

Os rebeldes americanos na espera dos casacos vermelhos em Bunker Hill (17/06/1775)
Duas vezes a colina foi assaltada pelas onde humanas dos casacos vermelhos de Howe e Pigot, e por duas vezes o tiroteio cerrado dos rebeldes as fez retroceder. Uma nova tonalidade rubra tingia suas jaquetas e as vistosas calças brancas salpicavam-se de sangue. Os soldados começaram a sentir os efeitos da resistência. Antes que a desmoralização exercesse efeitos paralizadores, Gage ordenou o envio de novos reforços e uma terceira ofensiva morro acima foi ordenada. Presos como caranguejos às rochas, as forças de Prescott enfiadas nos valões sofreram nutrido fogo de artilharia, principalmente da esquadra inglesa aportada na baia. As munições escasseavam e uma nova linha de infantaria subia vagarosamente a colina. Ao coronel americano nada mais restou senão que ordenar a retirada. Lentamente os rebeldes foram cedendo terreno sob a proteção do general Putnam, terminando por se abrigarem atrás das linhas americanas situadas mais a retaguarda. No alto da colina, deixaram cento e quarenta e cinco mortos. Rapidamente os ingleses a ocuparam e a reforçaram. A batalha estava encerrada.

Militarmente, os americanos foram derrotados naquela ocasião, visto que não conseguiram sustentar a posição. Apesar da determinação de Prescott, sua posição havia sido ocupada e suas tropas obrigadas a baterem em retirada, mas, politicamente, os efeitos foram outros. A resistência dos rebeldes durante longo período sob o potencial do fogo britânico provou que eram suficientemente rijos para impor-se à Metrópole. O episódio igualmente alertou os americanos para fugirem aos confrontos diretos com os exércitos britânicos. Uma nova tática deveria ser elaborada e o conhecimento do terreno, a emboscada e a surpresa contariam como armas fundamentais na longa guerra de oito anos que se seguiria. Alternando a guerra de emboscada com a batalha convencional, os comandantes americanos conseguiram fazer com que a Metrópole desistisse de submetê-los, provocando a primeira derrota do colonialismo europeu nas Américas.

Bibliografia

Blanco, Richard L. The War of The American Revolution: A Selected Annotated Bibliography of Published Sources. Nova York: Garland Publishing, 1984.

Boatner, Mark Mayo, III. Encyclopedia of the American Revolution. Nova York: David McKay Co., 1966

Commager, Henry S., and Richard B. Morris, editors. The Spirit of 'Seventy-Six. Nova York: Harpers, 1967.

Scheer, George F., and Hugh F. Rankin, editors. Rebels and Redcoats. Nova York: World, 1957.

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