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A controvérsia imperialista
O clima político, porém se turbava. O rei George III, que assumira o trono em 1760, ao contrário dos seus dois antecessores, todos descendentes de uma família alemã de Hanover, queria mais poderes. Inevitavelmente deu-se o choque com o parlamento britânico, sempre cioso das suas prerrogativas. A posição dele foi chamada de “imperialista” por seus críticos, entre eles Edmund Burke, que se assustaram ainda mais com as ambições do monarca quando ele apareceu em público com a Gold State Coach, uma carruagem decorada e pintada com ouro, dando óbvios sinais de magnificência e sonhos de vir a ser um César. Para piorar as coisas tapou a sua esposa Charlote com jóias valiosíssimas, fazendo com que a apelidassem de a “Rainha dos Diamantes”. Foi o primeiro-ministro dele, Lord North, quem melhor encarnou os desejos concentracionários da monarquia exatamente no momento em que a tensão entre os colonos e os delegados reais aumentava na América do Norte. Desde o final da Guerra dos Sete anos travada contra a França, os incidentes se sucediam um atrás do outro num crescendo de violência, fazendo com que os americanos organizassem a sociedade secreta Sons of Liberty, os Filhos da Liberdade para se defenderem. Enquanto os que estavam próximos ao governo entendiam ser as manifestações um descontentamento de uma minoria radicalizada, que pouco tinha com os demais súditos, pacatos e amantes da ordem do rei, outros alertaram que a situação entre os colonos marchava para uma sedição, para a revolução e a independência.(*) (*) Os principais incidentes começaram desde a fracassada implantação do Stamp Act, a Lei do Selo, de 1765, imposta depois da Guerra de Sete Anos contra a França e que forçava os colonos a comprar estampilhas do governo para ajudar a pagar o déficit do Tesouro Real. Em seguida, em 1767, movimentaram-se no repúdio às Leis Townsend, que tinham o mesmo objetivo. O sangue terminou por correr nos incidentes do chamado Massacre de Boston, de 1770, ocasião em que a guarda atirou nos populares. O ápice de tudo deu-se com a Festa do Chá em Boston, em 1773, quando os colonos fantasiados de índios atiraram a carga de três navios da Companhia britânica das Índias no mar, ação reprimida pela imposição dos Atos Intoleráveis adotados contra aquela cidade em 1774.
A caminho de uma nova guerra civil
Prova da insatisfação coletiva dos americanos, era a circulação de um texto de Thomas Jefferson, um advogado exemplar da Virginia, homem da elite local, intitulado “Vista sumária sobre os Direitos da América do Norte”, de 1774, no qual afirmava não haver mais razão nenhuma que justificasse o domínio britânico sobre as 13 colônias americanas. Era tão absurdo, escreveu com certeza, como se imaginar que a Inglaterra ainda devesse se submeter à velha Saxônia (região da Alemanha de onde tinham vindo os saxões que povoaram a Inglaterra a partir do século V).O mesmo afirmou John Adams, conterrâneo dele, dizendo que de fato “A Revolução começara antes da guerra. A Revolução estava na mente e no coração do povo”. Franklin, por igual, bem antes, em 1768, já havia tocado no delicado tema ao publicar o panfleto “Causas do Descontentamento dos Americanos”.
O monarca contra os súditos
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George III, ambições imperiais
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Por conseguinte, a exigência do rei George III por reforçar o bastão e o trono era praticamente uma declaração de guerra aos colonos, que justamente naquele momento estavam reclamando nas ruas da excessiva ingerência na vida deles. De certo modo a “controvérsia imperialista” reproduzia, mais de um século depois, quase o mesmo tipo de conflito de interesses que conduzira à Guerra Civil, travada entre o rei Carlos I e o parlamento liderado por Cromwell, e que provocara a Revolução Puritana (1640-1660). (*) Como era inevitável, deu-se um aberto choque entre as queixas dos súditos que vinham lá do outro lado do Atlântico e a “posição imperialista”, defendida pelos acólitos do rei, o que pôs fim aos proveitosos dias londrinos de Franklin. (*) Para alguns historiadores anglo-saxões a Revolução Americana de 1776, foi o desdobramento e aprofundamento da Revolução Puritana de 1640, ou sua conclusão final, ao fim das quais o poder parlamentar finalmente se sobrepôs ao poder monárquico, enquanto a sociedade civil venceu a sociedade cortesã, gerando ambas as revoluções as pré-condições para o avanço da democracia tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos.
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