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O Zaibatsu: o grande oligopólio econômico japonês

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» O Zaibatsu
» Vantagens e desvantagens
 
Do mesmo modo como se deu a industrialização em alguns países da Europa e nos Estados Unidos, a expansão fabril do Japão, que tomou vulto entre 1870 e 1914, foi acompanhada de enorme concentração econômica e de renda. Os capitais reuniram-se em torno de alguns conglomerados nipônicos, ditos zaibatsus, tidos como estratégicos ao desenvolvimento, tais como bancos, exploração mineral, industria bélica, têxteis e comércio exterior. Entretanto, ao contrário dos conhecidos atritos entre empresas macro-econômicas e o governo que ocorreram nos Estados Unidos, especialmente entre os anos de 1880 e 1920, houve uma integração quase que total entre os zaibatsus (cliques financeiras) e o governo imperial em Tóquio.

A Revolução "de cima"

O Zaibatsu se assemelha a um dragão-serpente conduzido por homens
Ocorreu que o Japão Meiji (1868-1912), com sua revolução feita "de cima", vinda do alto, sustentada pela genro, a elite que cercava a corte, seguiu mantendo como sua política econômica a mesma relação feudal de suserania e vassalagem que o antigo Xogunato, caído em 1867, mantinha com os daimyos, isto é com os barões feudais do país.

Uma era equivalente a outra: a decadência dos daimyos foi acompanhada pela ascensão dos zaibatsus. A Revolução Meiji fez com que o cavaleiro da espada desse lugar ao cavaleiro da industria: a katana, a adaga do esgrimista, cedeu espaço para a sangyo, o sistema fabril. Assim como o daimyo não se arriscava a desafiar o xogum, o zaibatsu procurava sempre obedecer ao imperador a quem devia o poder e a fortuna.

Do mesmo modo que o xogum outorgava privilégios aos seus favoritos, o governo imperial premiava algumas famílias com direitos econômicos especiais para, desde modo, ter um forte grupo oligárquico financeiro-industrial que lhe desse total apoio e sustentação. O objetivo estratégico maior da kokutai, da política nacional, era fortalecer o estado nipônico para modernizar o país e fazer frente à crescente ameaça estrangeira, representada pelos interesses norte-americanos, russos e europeus ocidentais, que se espalhavam pela Ásia. A questão da satisfação das demandas por consumo ocupou desde então uma posição secundária na economia nacional.

Ressalte-se que os zaibatsus, quase todos formados a partir da segunda metade do século XIX, tinham um enraizamento e difusão nos empreendimentos econômicos mais modernos, muito além daqueles dos trustes norte-americanos ou dos konzern, os cartéis alemães da época do II° Reich de Bismarck.

Tornou-se comum um grande conglomerado controlar simultaneamente um banco, estaleiros navais, minas, um setor industrial, significativas áreas comerciais e ainda deitar interesses sobre o comércio de importação e exportação, tornando-se assim um precursor das multinacionais que proliferaram mais tarde, depois da IIªGM, em muitos lugares do mundo. Do mesmo modo que um daimyo tinha uma infinidade de outros subalternos, de samurais e funcionários a seu serviço, o zaibatsu por igual exercia a soberania sobre um número incontável de negócios menores que lhe eram dependentes. (*)

Apesar de existirem no Japão de hoje 1,3 milhões de corporações, somente menos de 300 delas empregam mais de 5 mil funcionários (isto é apenas 0,02%), mas que ofertam 14% dos empregos totais do país [fonte: Hibi,Sidao - Japan, profile of a nation, Tóquio, 1995, pág. 110].

A sobriedade das famílias ricas

Yasuda Zenjiro fundador da Yasuda (1838-1921)
Ao tempo em que os zaibatsus exerciam uma hegemonia quase que absoluta sobre a economia nacional, poder equivalente desconhecido no Ocidente, destaca-se o fato de que o comportamento das principais famílias controladoras das ações era bem diversa dos seus símiles nos Estados Unidos ou na Europa. Não havia entre elas o tão conhecido consumo conspícuo, o gasto de ostentação, apontado por Thorstein Vebler como característica marcante dos magnatas e milionários da costa Leste norte-americana. Muito pelo contrário.

As famílias zaibatsus, educadas na probidade budista ou confucionista, na ética da contenção do desejo e no espírito da poupança, eram sóbrias, discretas, quase que espartanas em seus hábitos, não despendendo senão que o necessário à sua existência e à sua posição na sociedade. A figura do ricaço estabanado, esbanjador, pródigo mesmo, algo assim como o Grande Gatsby da novela homônima de Scott Fitzgerald, era praticamente desconhecido no Japão. Expor a fortuna ofendia a sensibilidade dos proprietários e do povo em geral, sendo considerado um gesto de profundo mau gosto e totalmente falto de pudor.

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