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Terremotos, vulcões e furacões

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» Walker, o ditador da Nicarágua
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Nos tempos do domínio espanhol, a região da América Central era controlada pela Capitania-Geral da Guatemala e estava administrativamente subordinada ao vice-reino da Nova Espanha (o México atual). Com o processo de independência nacional iniciado em 1821, formou-se em seu lugar uma confederação denominada de Províncias Unidas da América Central (1824-1838), separadas definitivamente do México em 1825.

A tensão entre os centralismo e federalismo explodiu numa guerra civil intermitente entre os anos de 1838 e 1840, que prosseguiu com desdobramentos internos em cada uma das partes que a compunham. Além disso, na maioria dos países que se emanciparam (Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica), caudilhos militares, conservadores ou liberais, começaram furiosamente a se entredilacerar pelo controle político dos respectivos estados, provocando enorme ruína da população. Além de ser ameaçada por eventuais explosões vulcânicas (em El Salvador concentram-se a maioria deles), devastadores furacões, tremores de terra e dilúvios tropicais, a pobre América Central, império das bananas e do café, viu-se constantemente arrasada pelas lutas intestinas das várias facções oligárquicas.

Coube ao minoritário e enfraquecido partido "democrático" da Nicarágua, com base em León, a infeliz idéia de atrair William Walker e seus filibusteiros para o seu lado na guerra civil que travam contra os "legitimistas", a ala mais forte da oligarquia local. Assinaram para tanto o Convenio Walker-Corral, que hipocritamente propunha medidas eloqüentes a favor da pacificação nacional.

Vindo a bordo do "Vesta", desembarcando em El Realejo no dia 16 de junho de 1855, acompanhado de apenas 58 homens da assim dita Falange Americana, logo reduzidos para 55, "The Imortals", Los Imortales, como diziam os espanhóis, ele rumou para o interior e bateu facilmente os legitimistas ocupando-lhes a capital Granada. Vendo no presidente Riva um simples "homem-de-palha" projetado pelas circunstâncias, Walker, que reservara para si o posto de general-em-chefe, o descartou. Logo que assumiu o controle central, transformou os integrantes dos "democratas" nicaragüenos em seus subordinados, tratando-os como se fossem seus servos.

O filibusteiro, de fato, ungiu-se como ditador do país, introduzindo a prática da escravidão e fazendo do inglês o idioma oficial dos nicaragüenses. Naquele momento até o alto clero local lhe prestou louvores, como foi o caso do bispo de Granada Don Augustin Vigil que exaltou-o como "Anjo titular" e "Estrela do Norte". O governo norte-americano, sem tardar, reconheceu-o como a única autoridade local, ainda que não eleita por sufrágio algum.

Briga com a Companhia do Canal e de Trânsito

Walker, que era mau político, além de desgostar a marinha inglesa com sua presença na região, cometeu a grave imprudência de entrar em choque frontal com a Companhia do Canal e de Trânsito, empresa norte-americana que havia obtido a concessão da construção de um canal por dentro da Nicarágua e responsável pelo tráfego dos garimpeiros, por dentro dos lagos do país, em direção a Califórnia. Empreendimento este que, na ocasião, era controlado pelo magnata nova-iorquino Cornélio Vanderbilt.
O ditador exigiu que a direção pagasse ao governo dele a soma então impressionante de 412 mil pesos, dinheiro que estava em atraso. Irritado com a negativa, decretou em 18 de fevereiro de 1856 a confiscação dos navios e outras propriedades da companhia no país até perfazer o valor devido. Foi o seu fim.

O milionário norte-americano, furioso com a ousadia do aventureiro, tratou então de apoiar uma liga centro-americana com os países vizinhos da Nicarágua para, por meio de uma curta guerra, afastá-lo dos negócios e do controle sobre o pequeno país. Derrotado, sem saída, novamente refugiou-se numa embarcação norte-americana retornando para os Estados Unidos. Receberam-no como herói. Até o presidente James Buchanan abriu as portas da Casa Branca para congratulá-lo pela ação ousada.

O fuzilamento de Walker

Alma inquieta, o fracasso da Nicarágua não fez com que ele esmorecesse ou tomasse juízo. Em pouco tempo, de posse de um outro barco, Walker com seu bando voltava a assolar o litoral de Honduras na tentativa de assentar por lá mais um grupo de americanos escravagistas. Pareceu-se assim aos velhos piratas que, no passado, assombraram a região, a Chevalier de Grammont, Laurens de Greff, Pierre Bot, a Jean Foccard e a tantos outros mais. Rondando as ilhas da Bahia, no Mar das Caraíbas, possessão inglesa que ele pensara já ter sido transferida para Honduras, ele desembarcou no lugarejo de Trujilo (ver imagem) pondo-o a saque. Desta feita, o governo local apelou para a esquadra inglesa que patrulhava a orla marítima de Belise para que pusessem um freio nas tropelias do americano.

Capturado por um esquadrão que saltara do navio "Icarus", comandado por um capitão britânico e um general hondurenho, quando estava acampado nas margens do rio Negro, o aventureiro foi levado preso a Trujilo e, depois de uma noite de cárcere, foi rapidamente condenado à morte por suas atividades filibusteiras. Consta que ele acatara o destino fatídico conformado, dizendo: "I want to die, for I believe my career in politics is at an end" (Quero morrer porque acredito que minha carreira na política chegou ao fim) Executaram-no por fuzilamento no Forte Espanhol na manhã do dia 12 de setembro de 1860. O corpo de Walker foi sepultado no Cemitério Velho de Trujilo onde até hoje se encontra a sua lápide. O espaço que lhe reservaram é um nada perto de quem imaginou algum dia por a mão em países inteiros.

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