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Napoleão e o cão do regimento

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Napoleão
» O cão do regimento
» A retirada na neve e no gelo
 

A retirada de Napoleão da Russia, ocorrida em 1812, foi um dos maiores desastres militares de todos os tempos. O Imperador da França, um gênio no campo de batalha e na administração do país, subestimou totalmente o seu adversário. Não levou em consideração a capacidade e a tenacidade da resistência dos russos, nem os efeitos brutais do inverno naquela imensa região do mundo. O resultado da malfadada campanha foi a perda de mais de 400 mil soldados e o início do fim do seu império.

Moscou em chamas

Moscou queimando (dias 15 a 29 de setembro de 1812)

"A capital a Lituânia ainda ignorava os nossos desastres, quando de repente quarenta mil homens esfomeados a encheram de gritos e gemidos."
Conde de Segur –A derrota de Napoleão na Rússia, Paris, 1825

Moscou em chamas! Foi a intensidade das labaredas, a vastidão do estrago, a nuvem escura de fumaça e fuligem que pairou sobre a cidade por dias e dias, que fez com Napoleão finalmente percebesse que tudo estava perdido. Ele entrara na antiga capital no dia 14 de setembro de 1812, vindo de uma campanha dura mas vitoriosa. Ainda bem perto de Moscou ele fizera o exército russo de Kutuzov bater em retirada frente ao Grand Armée. Esperava para logo um emissário do czar Alexandre I para propor-lhe um acordo, uma paz, uma capitulação, fosse lá o que fosse. O autocrata russo, porém, ignorou-o. Não iria se render. Continuaria recuando, até para as vastidões da Sibéria se necessário, mas não firmaria nada com o invasor.

Agora os prédios ardiam. E, por cinco dias ininterruptos, continuaram a queimar, incendiados por sua própria gente. O próprio Napoleão, aquartelado no Kremlin, por pouco não morreu asfixiado. Seus guardas, para salvá-lo, tiveram que remove-lo as pressas por uma porta secreta que dava no rio Moskwa. A cidade, dois terços dela incendiada, estava num desamparo só. Correndo pelas ruas, invadindo as casas que restaram, a soldadesca pilhava tudo o que podia. Cem mil homens, a fina flor do exército francês, viraram uma matilha furiosa, enlouquecida pelo cenário infernal que os envolvia e pelo medo instintivo que passaram a sentir. A disciplina fora-se com a fumaça. Por incrível que possa parecer, o pior para eles ainda estava adiante, pois no inferno dos cristãos ortodoxos o que domina é o frio e não o fogo.

Napoleão, não querendo aceitar a situação, de ter arrastado 400 mil homens para dentro do coração do império russo sem nada levar em troca, ainda tardou

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