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A plebe e o império

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» A plebe e o império
» A plebe e o império: parte 2
 
Nenhum império existiu na terra sem que houvesse amplo consentimento do seu povo. É inverídica a concepção que atribui o poder do imperialismo e sua expansão apenas aos poderosos, aos plutocratas e às grandes empresas que lucram com suas conquistas. O imperialismo sempre teve adesão popular, especialmente dos extratos sociais inferiores que se orgulham de fazer parte de um poder tão impressionante assim, tanto é assim que nunca se viu na história uma rebelião contra uma guerra de subjugação de um estado ou de uma nação.

O massacre de Amritsar

A plebe vibrava com o desfile dos caídos (triunfo romano)

“Nada caracteriza melhor a política de poder da era imperialista do que a transformação de objetivos de interesse nacional localizados, limitados, e, portanto, previsíveis, em busca ilimitada de poder, que ameaça devastar e varrer o mundo inteiro sem qualquer finalidade, sem alvo nacional e territorialmente delimitado e, portanto, sem nenhuma direção previsível.”
Hannah Arendt –As origens do totalitarismo, v.II, 1951

Bastaram apenas 50 soldados para o general Reginald Dyer fazer o serviço. O povo pacifico que se agrupava jardim Jallian Wallah em Amritsar - a sagrada cidade dos shiks do Punjab, na Índia dominada pelos britânicos -, lá se encontrava num protesto pacífico contra a continuidade da presença inglesa no país. A Grande Guerra terminara em 1918, e eles, os indianos, embalados pelas promessas a favor da autodeterminação das nações do presidente Woodrow Wilson, saíram as ruas para reclamar o seu quinhão.

Era um domingo, dia 13 de abril de 1919, ocasião em que inauguravam o festival hindu Baisakhi, o começo da Primavera. Pela cidade inteira formigavam peregrinos em visita ao Darbar Sahib, o magnífico Templo Dourado de Amritsar. Foi então que Dyer ordenou os disparos. Que os guardas atirassem livremente sobre a massa amontoada no jardim, homens, mulheres e crianças. Conforme os cartuchos eram gastos, o general gritava que recarregassem os fuzis e as metralhas e não parassem de despejar o chumbo quente.

O resultado foi pavoroso. Embretados no local, a multidão apavorada não tinha como escapar, para onde correr. O massacre somente cessou porque esgotaram-se as cartucheiras. Na contagem sinistra das vítimas, verificaram-se 379 mortos e 1.200 feridos. Foi o Bloody Sunday, o Domingo Sangrento da história da Índia, a tragédia que deu impulso a que Gandhi desse o primeiro passo na sua campanha de não-violência.

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