Educação História por Voltaire Schilling Mundo
Boletim
Receba as novidades no seu e-mail!
Fale conosco
. Envie releases
. Mande críticas, dúvidas e sugestões
EducaRede
Entre no portal da escola pública
História - Mundo
MUNDO

Ordem e desordem no mundo

Leia mais
» Ordem e desordem no mundo
» Ordem na liga das Nações
 
Durante os últimos três séculos e meio conheceram-se diversos Sistemas de Ordem Internacional, isto é, grandes acordos assumidos em tratados de paz assinados pelas principais potências da Europa, e depois do Mundo todo, visando a prevenção das guerras e a manutenção da paz. Cronologicamente, foram eles o de Westfália (1648), o de Viena (1815), o de Paris (1919), e o de São Francisco (de 1945), que veio engendrar a ONU. Com a atitude dos Estados Unidos sob o govenro Bush de lançar-se num ataque com o Iraque à revelia das regras estabelecidas pela instituição universal, assiste-se o começo do desmantelamento do atual Sistema de Ordem Internacional.

A Paz de Westfália

Símbolo da ONU, unidade dos povos e nações
Há inteira consonância entre os historiadores ao apontarem o Tratado ou a Paz de Westfália, de 1648, como aquele grande acordo que inaugurou, por assim dizer, um Sistema de Ordem Internacional. Naquela ocasião, a Europa arrasada por guerras de motivação religiosa - as “guerras de confissão” como os alemães as designaram, nas quais a Liga Católica guerreou contra os protestantes -, conflitos que se arrastaram por trinta anos (1618-48), decidiu criar um novo ordenamento jurídico pelo qual emancipava de vez os estados nacionais simultaneamente da tutela da Igreja e do Sacro Império Romano-Germano. Dali em diante as potências da época procuraram proteger-se, cada uma delas, apenas pela lógica do equilíbrio de poderes ditada pela Raison d´Etat, as razões de estado, tão caras ao cardeal de Richelieu, situação em que um grupo de reinos agrupava-se contra um outro, de força equivalente.

Esta primeira ordem perdurou até a Revolução Francesa de 1789 e o seu corolário, o Império Napoleônico. O que se seguiu então foram vinte anos de guerras, as guerras napoleônicas, travadas de 1795 a 1815, contra o absolutismo e seus satélites, novamente levando o Velho Mundo à exaustão. Derrotado por fim em Waterloo, exilado Bonaparte na ilha de Santa Helena, um novo reordenamento internacional emergiu dos salões do Tratado de Viena, em 1815 (tido como a derradeira festa da aristocracia européia esvaída e sangrada pelo esforço em tentar conter o gênio do general corso).

O congresso de Viena

O Congresso de Viena, 1814-5
Os pilares do Congresso de Viena, sedimentados pelo príncipe Metternich e pelo czar Alexandre I, foram a restauração absolutista e a afirmação do principio legitimista. Este sobrepunha-se ao direito dos povos, defendendo a tese de que entre os príncipes europeus só seriam considerados governantes autênticos os que descendiam das famílias dinásticas conhecidas (a dos Habsburgos, Bourbons, Hohenzollers, Romanovs, etc...). Posição esta que era garantida pela Santa Aliança – a Internacional Reacionária - , uma força militar operacional dos príncipes europeus com a função de realizar intervenções armadas para sufocar os anseios de emancipação nacional e popular daquela época. Esforço inútil, diga-se, em tentar reverter a História.

A Revolução de 1848, dita a “Primavera dos Povos”, sepultou as premissas do Congresso de Viena em definitivo. Destruído o sistema Metternich, novamente os estados nacionais europeus procuraram alinhar-se obedecendo a lógica do equilíbrio de poder. Criaram então um mecanismo de alianças e mutua proteção que os garantisse em caso de guerra. O que resultou no final do século 19, na formação da Tríplice Aliança (o Reich Alemão, o Império Austro-húngaro e o Reino da Itália, depois estendido para o Império Turco Otomano), e do outro lado, no seu oposto, a Tríplice Entente (O Império Britânico, a França e o Império Czarista). Equilíbrio de forças que de nada serviu, pois os atentados de Serajevo de 1914, ocasião em que o herdeiro do trono austríaco e sua esposa foram mortos, arrastaram todos eles na voragem da Grande Guerra, a de 1914-18.

     próxima página
Veja todos os artigos | Voltar